Moisés escolhe Republicanos e Eron Giordani anuncia que vai deixar o governo

Texto: Felipe Silveira
Foto: Governo de SC

Depois de flertar politicamente com quase todo mundo, o governador Carlos Moisés — há muito tempo afastado do PSL e do bolsonarismo — decidiu seu destino político. Vai disputar a eleição pelo Republicanos, partido ligado à igreja evangélica Universal. A filiação ocorreu na quinta-feira (10). Com a decisão de um dos principais personagens da política estadual, outras peças começam a definir seus rumos.

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Uma delas é o chefe da Casa Civil de SC, Eron Giordani, que, mais do que um secretário, foi peça chave para a solidificação do atual governo após dois processos de impeachment. Ligado ao deputado estadual Júlio Garcia (PSD), Giordani foi o elo entre a política tradicional articulada na Alesc e o governo que, eleito na onda e no susto, não sabia direito como lidar com ela. Logo após a decisão de Moisés, ele comunicou que pretende deixar o governo em 31 de março para concorrer à eleição do parlamento.

Segundo o comentarista político Upiara Boschi, Giordani trabalhou para levar Moisés ao MDB ou ao Podemos. Embora o último já tenha tamanho suficiente para um projeto eleitoral sério, foi com o primeiro que Moisés quase casou, em uma novela que se estendeu por cerca de um semestre.

Uma das maiores forças políticas de SC, e consequente um partido que sempre terá condições de disputar nas cabeças, o MDB estava dividido em relação ao governador. Parte o queria e parte o rejeitava, incluindo com outras pré-candidaturas colocadas. Mas a grande decisão, no entanto, seria do Moisés. E ele abdicou da imensa sigla estadual para apostar no pequeno, mas em ascensão, Republicanos.

Candidatos à reeleição sempre partem com alguma vantagem, mas também não é incomum que alguns projetos tenham a continuidade negada pelos eleitores. No caso de Moisés, algumas coisas pesam contra. Ele rompeu com o bolsonarismo que o elegeu, de modo que parte da base o detesta, e não tem muita entrada na esquerda justamente pelo passado. Além disso, o caso dos respiradores desgastou sua imagem. E, agora, Moisés está em um partido cuja base é pequena.

Por outro lado, o governador está bem posicionado na centro-direita, que é justamente o perfil médio da maior parte dos governadores que SC elegeu. Se não tem votos da extrema-direita e da esquerda, tem muitos votos a disputar do centro à direita. O trunfo mesmo, contudo, é o dinheiro que tem distribuído por meio de projetos e políticas públicas. Beneficiado pela conjuntura econômica (SC é um estado exportados), no último ano Moisés tem rodado o estado para assinar ordens de serviços. Além disso, lançou o ambicioso Plano 1000, que promete obras para todos os municípios.

Assim, Moisés ganhou a simpatia de muitos prefeitos e de outras lideranças políticas e comunitárias. Ao optar pelo Republicanos, permite-se receber o apoio direto e indireto de muitos deles, coisa que talvez não fosse possível em outros projetos. O governador que já ganhou uma eleição improvável não tem desta vez o tsunami para carregá-lo, mas tenta fazer a própria marola para chegar lá.