VISÃO PANORÂMICA — MDB ignora escândalo, Sinsej protesta e o caso Jorge de Sá

Por Felipe Silveira

Todos os dias (ou quase), cinco ou mais notas sobre a política de Joinville e/ou de Santa Catarina. Veja os destaques desta sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022:

Antídio fica com pré-candidatura

A maior movimentação na política de SC nesta semana ocorreu no quintal do MDB. Com a desistência do senador Dário Berger e do deputado estadual Valdir Cobalchini, a pedido da bancada parlamentar, a pré-candidatura do partido ao governo do estado ficou com Antídio Lunelli, empresário milionário e prefeito de Jaraguá do Sul.

“Fica homologado o resultado das Prévias deflagradas pela Resolução n. 001/2022 e, por consequência, proclama-se como vencedor o candidato Antídio Aleixo Lunelli, que, a partir da publicação deste ato, passa a ocupar oficialmente a posição de pré-candidato a governador do MDB nas eleições estaduais deste ano de 2022”, registra o documento do partido.

Agora, tudo indica que será Lunelli mesmo o candidato, pois tem esfriado cada vez mais a possibilidade de o governador Carlos Moisés disputar a eleição com o número 15, conforme desejava parte do partido. Outra parte o rechaça, é bom destacar. O casório ainda é uma possibilidade, mas daquelas que não se aposta.

A decisão também mostra que o MDB não levou a sério ou não teme retaliações decorrentes do escândalo que envolve o prefeito jaraguaense. No dia 3 de fevereiro, o jornalista Marcelo Lula, do jornal SC em Pauta, divulgou detalhes de um inquérito policial que relatava a detenção de Antídio em caso que envolvia um menor. Nos dias seguintes, em nota, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) confirmou que tomou “conhecimento dos fatos” (ou seja, do inquérito, o que confirma sua existência) e encaminhou o processo ao poder judiciário.

A imprensa catarinense mal repercutiu o caso. Se alguém além de Marcelo Lula falou sobre ele, desconheço. As instituições e a população catarinense também não comentaram muito. E, logo mais, se depender do MDB, Antídio Lunelli pode ser o governador catarinense.

Cabo eleitoral

Um dos principais cabos eleitorais de Antídio é o ex-prefeito joinvilense Udo Döhler. Recentemente, Antídio divulgou em suas redes sociais o apoio de Udo, repleto de elogios: “O norte catarinense se antecipou e buscou uma liderança nova, íntegra, empreendedora e competente, e a encontrou em Antídio Lunelli”.

Muito mais do que o vídeo, Udo Döhler tem sido a ponte que liga Antídio a Joinville. O jaraguaense sabe que o apoio da cidade mais populosa do estado é fundamental para o sucesso na empreitada eleitoral. E mesmo que Udo tenha terminado seu segundo mandato com baixa popularidade, é um cabo eleitoral de peso em alguns setores específicos.

Já está com o MP

O caso Jorge de Sá já está com o Ministério Público de Santa Catarina. Em pedido de abertura de inquérito, protocolado na quarta-feira (16), o cidadão José Roberto Budal argumentou que “o teor dos áudios é extremamente grave e pode indicar a prática do crime de advocacia administrativa, razão pela qual deve ser objeto de apuração pelo parquet”. No despacho, com data da mesma quarta-feira, o juiz Felippi Ambrosio determinou que “abra-se vista ao Ministério Público”.

Sinsej se engaja

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville (Sinsej) tem cobrado a apuração do caso Jorge de Sá. Presidenta da entidade, Jane Becker ocupou a tribuna da câmara de vereadores na quarta-feira, um dia após a denúncia. Ela destacou que a luta dos servidores contra o fechamento da fábrica de tubos que, segundo ela, foi orquestrada pelos políticos e empresários da cidade. O sindicato também emitiu uma nota sobre o tema. Em seu discurso, Jane também alertou para tentativas de terceirização do Hospital Municipal São José. Veja:

Demissão

O PSOL Joinville foi uma das poucas institucionais que se posicionou acerca do caso Jorge de Sá. O partido, que quer a demissão do secretário, aponta que os áudios mostram “evidente quebra do art. 37 da Constituição Federal de 1998, que diz que são princípios da administração pública a impessoalidade e a moralidade, evidentemente violados nos áudios divulgados”. Veja a nota completa.

Exaustão

Nesta semana, a direção do Sinsej também divulgou uma nota para alertar a população sobre a exaustão física e emocional dos servidores da saúde e as condições precárias de trabalho decorrentes da falta de pessoal. Conforme relato de servidores, um fisioterapeuta que antes atendia dez pacientes na UTI do HSJ, agora precisa atender 30 no mesmo período de tempo. “Assim, o trabalho de quem está atuando há dois anos quase ininterruptamente na pandemia acumula ainda mais, o atendimento à população piora e o esgotamento aumenta”, diz o documento.

Plano 1000 liberado

O governo de SC firmou o compromisso de liberar recursos para os primeiros projetos do Plano 1000. Chapecó, Criciúma, Blumenau, Bombinhas, Mafra, Painel, Penha, Rio do Sul, Rio Negrinho, Água Doce, Capão Alto, Cerro Negro, Curitibanos e Ituporanga tiveram os primeiros projetos aprovados. Os 33 projetos vão custar R$ 94.834.774,31, que serão pagos em quatro parcelas, segundo o governo estadual. Rio Negrinho, no Planalto Norte, foi o município com o maior número de projetos aprovados. Serão oito obras que incluem pavimentação, construção de CRAS e construção de complexo esportivo.