A política em Joinville: O que os áudios de Jorge de Sá evidenciam sobre o governo Adriano

Por Felipe Silveira
Foto: Prefeitura

Na terça-feira (15), a partir de uma denúncia cuja fonte não foi revelada, os vereadores Sidney Sabel (DEM) e Cassiano Ucker (Cidadania) exibiram dois áudios que mostravam o secretário de infraestrutura, Jorge Luiz Correia de Sá, se colocando como intermediador para a venda de terrenos do Ipreville, cuja direção é escolhida pela prefeitura. Nos arquivos, comentários nada republicanos, como “vou ser teu corretor” e “tem um monte de empresa interessada”. O governo municipal diminuiu o caso, tratando como intriga da oposição e sugerindo que não há irregularidade. Vamos esmiuçar o caso e o que ele evidencia sobre a gestão de Adriano Silva:

Há divergências sobre o caso. Corrupção? Improbidade? Brincadeira? Meros exemplos ilustrativos? Não sei. Como não sou promotor, também não vou acusar. A câmara de Joinville já disse que vai apurar e cabe ao ministério público fazer o mesmo.

Porém, não são apenas os crimes contra a administração que estão sujeitos ao escrutínio públicos. Outros tipos de erros também podem e devem ser julgados pela sociedade. E não restam dúvidas de que o secretário Jorge de Sá errou.

Na minha avaliação, Jorge de Sá não tinha condição nem intenção de atravessar qualquer negócio público. Suas falas eram, de fato, exemplos do interesse imobiliário sobre o patrimônio público e sobre o interesse desta gestão de se desfazer do patrimônio público. Acontece que ele falou, com todas as letras, frases que pressupõem o atravessamento. “Vou ser teu corretor”, “te apresento o fulano”, “essa é uma área que interessa muito ao pessoal de incorporação”. Não são frases republicanas, não são comentários normais. É um absurdo e, no mínimo, uma irresponsabilidade.

Tenho tratado o caso como imoralidade. Não só pelas coisas que falou, da boca para fora ou não, como pelo sentido prático da coisa. E é neste ponto que quero focar. Se Jorge de Sá não tem condição e intenção de atravessar o negócio, qual é o resultado prático desta reunião? Na prática, o processo que se escancara é o seguinte:

1) A prefeitura sucateia dois serviços públicos (fábrica de tubos e usina de asfalto);
2) Vende o terreno e beneficia empresários, que precisam de um terreno para a expansão ou que vão lucrar com a disposição de um terreno em área nobre;
3) Aumenta o caixa do Ipreville, fazendo com que a gestão municipal aparece bem na foto.

Ou seja, a prefeitura e empresários ganham, mas a cidade e os servidores perdem. A cidade perde dois serviços públicos, enquanto os servidores perdem patrimônio. Afinnal, os imóveis pertencem aos servidores, que podem ganhar dinheiro com aluguel e manter o patrimônio do instituto. Vale ressaltar que, se vender terreno fosse bom, o maior proprietário de terras de Joinville já teria se desfeito de todos.