VISÃO PANORÂMICA — A aprovação nem tão recorde de Adriano, mudança na CVJ e outros temas

Por Felipe Silveira

Todos os dias, cinco ou mais notas sobre a política de Joinville e/ou de Santa Catarina. Veja os destaques desta sexta-feira, 28 de janeiro de 2022:

Recorde? Será?

O jornal Notícias do Dia publicou e o prefeito Adriano Silva repercutiu matéria sobre pesquisa de aprovação da atual gestão municipal, mas algo de errado não estava certo. O tom do texto no jornal e da postagem do prefeito no Instagram sugerem uma aprovação recorde, de 88,3%, mas uma leitura mais atenta vai logo notar que este número é a soma de quem respondeu ótimo, bom e regular.

Esta soma não pode ser considerada aprovação, já que tradicionalmente aprovação é a soma de ótimo e bom. Regular não é aprovação nem rejeição. No caso de rejeição, considera-se a soma de ruim e péssimo. Regular é outra coisa, que é diferente de quem não sabe responder

Os números da pesquisa ainda não estão disponíveis para a comunidade, já que este tipo de material é cedido pelo contratante para quem ele quiser. O jornal ND informa que 420 pessoas foram ouvidas entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro.

Dança da cadeira vermelha

Em breve, um novo vereador deve assumir o mandato na Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), mas apenas temporariamente. Terceiro mais votado do PT, Wanderlei Monteiro vai ocupar a cadeira de Ana Lúcia Martins, que cederá o lugar a partir de uma estratégia do partido, que costuma fazer um rodízio nos parlamentos. A princípio, o segundo suplente não pode ocupar a vaga no momento.

Wanderlei despertou para a política a partir do movimento punk. “Quando escutei a música ‘Escolas’, dos Garotos Podres, eu vi que estava sendo manipulado pelo sistema sem saber”, me disse em uma entrevista, em 2018. Com atuação sindical e em movimentos populares, Wanderlei conquistou 1.025 votos em 2020.

Chove em SC

Depois de um calorão que quase nos cozinhou nas últimas semanas, chove em Santa Catarina. Mas ainda é pouco para tranquilizar governo e produtores rurais, preocupados com a estiagem que todo ano se agrava no estado. Segundo a Secretaria de Agricultura, no ano passado foram investidos R$ 100 milhões em programas de captação de água e neste ano serão mais R$ 150 milhões.

No entanto, ao mesmo tempo que se preocupa com a estiagem, o governo avança sobre rios e florestas. O governador Carlos Moisés sancionou na quinta-feira (27) a lei que altera o Código Estadual do Meio Ambiente, aprovada na Alesc com muita participação do “setor produtivo” e muitas críticas de ambientalistas.

Segundo o texto do governo, as alterações agora incorporadas “visam sobretudo adaptar a legislação estadual às normativas federais e incorporar inovações surgidas no decorrer dos últimos anos, desburocratizando e dando mais agilidade ao licenciamento ambiental”.

A CVJ fez uma reunião pública na noite de quarta-feira (26) sobre a Lei Federal 14.285/2021, sancionada no mês passado, que permite a regularização de edificações às margens de cursos e corpos d’água em áreas urbanas. A nova lei modificou o Código Florestal (Lei Federal 12.651/2012) e repassou aos municípios o poder de normatizar essas edificações. No mesmo encontro, o deputado federal Darci de Matos (PSD) celebrou que os os congressistas conseguiram aprovar um projeto que dá aos municípios o aval para legislar sobre a construção às margens dos rios, sob “berros do pessoal mais conservacionista, da esquerda xiita”.

Na ocasião, o secretário Fabio Jovita, da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (Sama) “animou” empreendedores ao explicar que a lei municipal deve mudar a partir de mudanças na lei federal. Segundo ele, a Sama está trabalhando, desde junho do ano passado, em um procedimento que dará “segurança jurídica” aos solicitantes de licenças. “O que a gente precisa agora para retomar os projetos de vocês é que a legislação seja atualizada”, disse.

Agora pensem em tudo isso e imaginem o calorão que ainda vem por aí.

O bajulador

Faça chuva ou faça sol, Coronel Armando está bajulando Jair Bolsonaro em suas redes sociais. Se Bolsonaro corta recurso para SC, ele diz que não é bem assim, que tinha recurso previsto demais e tinha que cortar mesmo. Noutra postagem celebra a grande quantidade de vacinas aplicada no Brasil, ignorando que é Jair Bolsonaro o maior incentivador do movimento antivacina no país. Em toda postagem há uma linha conspiracionista sobre a esquerda. Seria cômico se não fosse trágico.

Aleatoridade no Plano Diretor

O vereador Lucas Souza (PDT) fez boa observação sobre as audiências de revisão do Plano Diretor. Disse que fica espantado que as demandas que chegam via audiência não têm nada a ver com o plano, que a população tem muita dificuldade de entender os objetivos da proposta. De fato, é um catadão aleatório de sugestões pontuais, geralmente platitudes, que não se sabe como vai refletir no texto da lei. Demonstra, também, que a comissão especial não fez bom trabalho de explicação do projeto de lei.

A última audiência realizada pela comissão especial ocorreu na quinta-feira.