O Mirante entrevista: Mario Dutra

Reportagem: Felipe Silveira

Eleito presidente do PSOL de Santa Catarina no final de 2021, o joinvilense Mario Dutra tem atuado na construção do partido socialista ao mesmo tempo que participa da construção de uma coalização à esquerda para a eleição estadual. Nesta entrevista, dividida em oito partes, ele fala sobre desafios do partido, bolsonarismo em SC, vetos a nomes na candidatura estadual da esquerda, interiorização da sigla e prefeitura de Joinville, entre outros temas.

Tarefas do PSOL-SC em 2022

Na primeira parte, além de uma breve descrição biográfica, Mario assegura que o PSOL está mais preparado para eleger um ou uma representante nesta eleição. O dirigente também descreve as três tarefas do partido para 2022: ajudar a sigla a alcançar a cláusula de barreira, eleger um ou mais representantes estaduais e contribuir com a frente de (centro-)esquerda para chegar ao segundo turno em Santa Catarina.

Bolsonarismo em SC

Nesta segunda parte, o tema é o bolsonarismo no estado, já que SC é vista como um reduto do presidente. Para Mario, o estado já deu mostras de que pode votar de maneira mais progressista e pode repetir o feito em 2022. “Santa Catarina ainda dá um índice alto de aprovação ao governo Bolsonaro, mas há um processo de derretimento”, disse.

Problemas de SC

Nesta terceira parte, ele destaca os problemas de SC, como desigualdade social e regional, desindustrialização, devastação do meio ambiente e preconceitos. “Nosso estado tem os maiores índices de violência contra a mulher e características de racismo estrutural”.

Relação entre PSOL e PT

Na quarta parte, Mario Dutra comenta a relação entre o PSOL e o PT, destacando que certo antipetismo à esquerda vem sendo diluído com o tempo. No ensejo, o dirigente revela sua visão sobre o espaço que o PSOL ocupa no contexto político-partidário. “A gente percebe os limites do petismo, os limites do lulismo, mas a gente busca construir cada vez mais bastante diálogo com o PT e com outros partidos do campo da esquerda”.

Vetos à frente de esquerda

No fim do ano passado, figuras relevantes do PSOL manifestaram insatisfação com nomes aventados como os possíveis candidatos da frente de esquerda estadual. O senador ainda emedebista Dário Berger e o ex-pepista (já filiado ao PSB) e ex-deputado Jorge Boeira foram cogitados pela tamanho político de ambos e por terem uma trajetória que tende ao centro, às vezes mais à direita, mas com bastante diálogo com a esquerda. Para o PSOL, os dois não servem, inclusive porque votaram a favor do irregular impeachment (portanto golpista) da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Nesta quinta parte da entrevista, o dirigente comenta as críticas públicas das lideranças partidárias e reforça o veto da sigla aos nomes que podem figurar como candidatos. “Quem for liderar essa frente tem que ter o perfil l da esquerda, da centro-esquerda, do campo democrático popular. Não dá para golpistas arrependidos, hoje, liderarem essa frente”, afirmou.

Dificuldade de interiorização

O PSOL tem dois vereadores em Florianópolis (elegeu três, mas perdeu um) e já fez boas campanhas para a prefeitura da capital, com o urbanista Elson Pereira. O sucesso na capital, porém, não se repete no restante do estado. Nesta sexta parte, Mario Dutra fala sobre o desafio da interiorização e explica por que ainda não conseguiu reproduzir a experiência de Florianópolis no restante do estado.

Críticas a Adriano Silva

Na sétima parte, o presidente da sigla socialista, que vive em Joinville, fala sobre a gestão de Adriano Silva, o único prefeito do partido Novo no país. Para ele, o governo municipal não apresentou propostas inovadoras para problemas graves da cidade, como a mobilidade urbana. Ele também criticou a gestão de Adriano Silva durante a pandemia de coronavírus.

Prognóstico para 2022

Na oitava e última parte, Maria Dutra faz um prognóstico do processo eleitoral deste ano. Para o militante socialista, não basta só derrotar Bolsonaro, mas derrotar a agenda neoliberal de destruição do Estado que ele representa. “A gente não pode subestimar nem super-estimar a força de Bolsonaro”, observou, mas também destacou que é preciso participar do processo e puxar Lula para a esquerda.