Udesc Joinville recebe recursos para pesquisa sobre detecção não invasiva de glicose no sangue

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Udesc Joinville

Espetar o dedo para medir a glicose no sangue vai ficar no passado. Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Joinville, estão cada vez mais perto da criação de um dispositivo portátil de detecção não invasiva de glicose no sangue. A instituição foi contemplada com R$ 465 mil pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) para dar prosseguimento ao trabalho.

Os estudos estão sendo realizados pelo grupo de pesquisa em Engenharia Biomédica da Udesc Joinville, liderado pelo professor Pedro Bertemes Filho, PhD em Física Médica. Fazem parte do grupo pesquisadores brasileiros e italianos das áreas de Engenharia elétrica, Ciências Biológicas, Ciências Médicas e Computação.

A equipe desenvolve uma pulseira para o monitoramento e detecção da glicose, com resultados já comprovados. O sensor eletrônico dispensa amostragens de sangue, tem baixo custo e possibilita que qualquer pessoa possa monitorar o próprio nível glicêmico.

Uma rede de sensores funciona conectada a um smartphone, que vai ser usado como veículo para levar a informação do sensoriamento até a uma nuvem de dados que fará o processamento dos sinais. O resultado do processamento por uma rede de inteligência artificial é passado ao smartphone, indicando a taxa de glicose, batimento cardíaco, temperatura corpórea e taxa de oxigenação sanguínea do usuário por meio de um aplicativo amigável. O usuário poderá medir sua taxa de glicose no momento que desejar, inclusive durante o sono.

Hoje, nos Estados Unidos, já existe um sensor de luz que realiza o processo, mas de maneira muito rudimentar e com 67% de erro, segundo a universidade. A ideia do professor joinvilense foi incluir uma rede de sensores, usando um algoritmo de computação e processamento em ultra-baixa potência de modo que os dados possam ser transmitidos via rede sem interrupções e com segurança. 

O projeto ainda está na primeira fase, chamada “pré-clínica”. A partir de 2022, cem voluntários serão envolvidos na coleta de dados, inclusive pacientes diabéticos. O trabalho deve durar cerca de dois anos. 

Os recursos da Fapesc serão fundamentais para o pagamento de bolsas de pesquisas, para a elaboração do design do dispositivo, para a compra de materiais para a coleta de dados, para as visitas técnicas junto à equipe italiana e para o depósito patentário de inovação.