Terreno de antiga estação de esgoto pode virar parque na zona sul

Edição: Felipe Silveira
Foto: Águas de Joinville/Arquivo
Informações: Jornalismo da CVJ

Na terça-feira (16), vereadores da Comissão de Urbanismo receberam representantes da Companhia Águas de Joinville para falar sobre o uso do terreno da antiga Estação da Tratamento de Esgoto (ETE) do bairro Jarivatuba. A construção de um parque público no local é uma das possibilidades.

A nova ETE Jarivatuba já está em funcionamento, em outra área do mesmo local, e as lagoas da antiga estação estão em processo de desativação. A conclusão do processo de transição está prevista para o segundo semestre de 2022.

O parque (se aprovado) cobriria as quatro lagoas mais próximas do bairro Jarivatuba, mas isso dependeria de um aterramento, algo cujo impacto ambiental ainda está sendo analisado. A empresa contratada pela CAJ para fazer o estudo deve finalizar o trabalho até março do ano que vem.

No desenho apresentado pela Águas de Joinville, o futuro parque contaria com pista de skate, academias ao ar livre, quadras esportivas e pista para corrida e caminhada em uma área de mais de 100 mil m². A área do futuro parque é uma porção relativamente pequena do imóvel da CAJ, que tem aproximadamente 1 milhão de metros quadrados. Desse modo, futuras ampliações da nova ETE não são um problema.

Presidente da Águas de Joinville, Giancarlo Schneider enfatizou que não é possível dar prazos para a implantação do parque, porque os próximos passos dependem da finalização do estudo de impacto ambiental.

A nova ETE está em operação e atende a uma das principais reivindicações da comunidade da região, que era o fim do mau cheiro exalado pelas lagoas de aeração da antiga estação. Com pelo menos 600 processos na Justiça relacionados ao mau cheiro, a empresa firmou um termo de ajustamento de conduta em 2013 que previa, dentre outras coisas, a construção da nova estação. Outra proposta do TAC era a construção de uma área de lazer na região.

Observação de pássaros

“Não gostaria de ver essas lagoas virarem aterro”, afirmou a representante do Clube de Observadores de Aves de Joinville (COA-Joinville), Débora Jung. Conforme dados apresentados por Débora, em Joinville há pelo menos 475 espécies de aves já fotografadas ou avistadas. E um “espaço especial” para a atividade de observação é a ETE Jarivatuba.

Apenas ali, 141 espécies foram avistadas. Jung defendeu que a área pode ser integrada em uma perspectiva mais ampla de ecoturismo, como uma unidade de conservação. Muitas dessas aves são migratórias e param na ETE para descansar ou fazer um lanchinho, não sendo nativas da mata atlântica, que cobre a região de Joinville.

No entanto, segundo a gerente de Qualidade e Meio Ambiente da CAJ, a bióloga Claudia Rocha, “essa grande população de aves se deu de forma não natural”. A desativação das lagoas, explicou, resultará na falta de nutrientes e levará as aves a buscarem outros lugares para permanecerem.