Ciro em Joinville: Emprego, renda mínima e ensino integral universalizado


Texto: Felipe Silveira
Foto: Gabriel Silva/Alfazema Fotografia

Faltando um ano para a eleição presidencial de 2022, algumas candidaturas estão em discussão, outras estão postas no tabuleiro para negociação e há aquelas que já estão definnidas, utilizando o prefixo “pré” apenas como formalidade diante da Justiça Eleitoral. É o caso da pré-candidatura de Ciro Gomes, o ex-ministro e ex-governador que já percorre o país para apresentar o projeto de desenvolvimento que também é sua principal plataforma eleitoral.

Na quinta-feira (28), ele esteve em Joinville, onde almoçou com filiados do PDT, conheceu projetos de sustentabilidade da Semana Lixo Zero e concedeu coletiva de imprensa. O Mirante dividiu a entrevista coletiva em 12 vídeos, que já podem ser conferidos no canal do Youtube do jornal, e os principais temas estão em destaque no site. Nos vídeos abaixo, Ciro fala das principais propostas para desenvolver o país e resolver alguns dos principais problemas sociais, como o desemprego e a fome.

Emprego e tecnologia

Neste primeiro, fala sobre um problema que tende a se agravar com a automação industrial, que é o desemprego nas camadas mais pobres e sem formação. Para o pré-candidato, ainda há margem de geração de empregos cuja mão de obra é mais simples, como a construção civil, mas sem abdicar da inovação. Neste trecho, ele também fala da tecnologia 5G e o atraso do país no setor.

Combate à fome e redução da pobreza

Uma das questões abordadas por Ciro Gomes na quinta-feira foi o combate à fome e a redução da pobreza. Ele disse que já passou da hora de implantar um programa de renda mínima de cidadania, ideia apregoada há décadas pelo petista Eduardo Suplicy, mencionado pelo pedetista. O financiamento deste programa, segundo ele, deve ser feito com a progressividade maior dos impostos (cobrar mais dos ricos).

Indicadores da Espanha

De acordo com Ciro Gomes, em 30 anos o país terá indicadores sócio-econômicos similares aos da Espanha, país que escolheu como modelo de inspiração por não ser o mais rico nem o mais pobre. Isso, claro, se conseguir ser eleito e aplicar o seu projeto de desenvolvimento. Para chegar lá, pretende fazer um esforço duplo de capacitação, com repatriação de cérebros e universalização do ensino em tempo integral e profissionalizante.

Empreendedorismo

Questionado sobre propostas para o pequeno empreendedor, Ciro respondeu que, se eleito, pretende investir em ideias inovadoras com o Estado assumindo 100% dos riscos, já que os novos empreendedores não têm como lidar com eles. Já para o mercado tradicional (de ideias não inovadoras), pretende oferecer assistência por meio de órgãos que identifiquem oportunidades no mercado.

Ciro Gomes tratou de diversos temas na coletiva, mas não fez grandes revelações para quem está acostumado a acompanhar suas frequentes entrevistas. Críticas ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente Lula, que lideram as pesquisas, foram feitas em vários momentos. Rejeitou a ideia de que o povo da região sul é bolsonarista, apesar da ampla votação em 2018. Criticou parte da elite econômica, que “trocou o coração por uma pedra”. Além dos comentários acima, falou sobre as eleições de 2022, o papel de SC no tabuleiro eleitoral, além de elogiar o modelo econômico catarinense, que trata como inspiração para o país.

Advogado, Ciro atua na política desde a juventude. Foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, deputado estadual e federal pelo mesmo estado e ministro em dois governos. No de Itamar Franco (PMDB), foi ministro da economia e participou da criação do Plano Real. Já no governo Lula (PT), foi ministro da integração nacional, atuando na transposição do rio São Francisco e na construção da hidrelétrica de Belo Monte. Candidato em 1998 e em 2002, não concorreu nos anos seguintes, quando foi aliado dos governos petistas.

O presidenciável tem sido um crítico frequente de Jair Bolsonaro, candidato à reeleição atualmente sem partido, e de Luiz Inácio Lula da Silva, petista que presidiu o país entre 2003 e 2010. Os dois lideram as pesquisas de intenção de votos nesse momento. Em entrevistas diárias à imprensa ou em programas do partido, chama Bolsonaro de ladrão para baixo. Sempre questionado sobre Lula, de quem é ex-aliado, não poupa críticas ao ex-presidente, especialmente ao modelo econômico adotado naquele período. No início do ano, anunciou a contratação do publicitário João Santana, que liderou campanhas do PT em outras ocasiões. Depois dessa contratação, subiu o tom nas críticas ao partido de esquerda, o que tem gerado cada vez divergências entre os eleitores das duas siglas.

A estratégia declarada do pedetista é superar o atual presidente no primeiro turno e enfrentar o petista, que no momento apresenta larga vantagem nas pesquisas, na segunda e derradeira etapa. Além das críticas cotidianas aos líderes, tem aumentado a intensidade da pré-campanha neste segundo semestre. A visita a Joinville — cidade na qual conquistou 20.138 votos (6,30%) em 2018 — fez parte deste roteiro.