Ciro em Joinville: O papel de SC no tabuleiro eleitoral, a espera pelo vice e aliança de centro-esquerda

Texto: Felipe Silveira
Foto: Gabriel Silva/Alfazema Fotografia

Faltando um ano para a eleição presidencial de 2022, algumas candidaturas estão em discussão, outras estão postas no tabuleiro para negociação e há aquelas que já estão definnidas, utilizando o prefixo “pré” apenas como formalidade diante da Justiça Eleitoral. É o caso da pré-candidatura de Ciro Gomes, o ex-ministro e ex-governador que já percorre o país para apresentar o projeto de desenvolvimento que também é sua principal plataforma eleitoral.

Na quinta-feira (28), ele esteve em Joinville, onde almoçou com filiados do PDT, conheceu projetos de sustentabilidade da Semana Lixo Zero e concedeu coletiva de imprensa. O Mirante dividiu a entrevista coletiva em 12 vídeos, que já podem ser conferidos no canal do Youtube do jornal, e os principais temas serão destacados no site.

Nos três vídeos abaixo, o presidenciável fala sobre as eleições de 2022. No primeiro, o tema a composição nacional que, embora tenha partidos de direita nas conversas, Ciro chama de “aliança de centro-esquerda”. Ele lembra que a aliança foi bem sucedida nas eleições municipais de 2020, conquistando seis capitais.

No segundo vídeo, o tema é o papel de SC nas discussões da chapa nacional e a pré-candidatura do PDT no estado. O pré-candidato do PDT ao governo catarinense é o ex-deputado federal Fernando Coruja, elogiado por Ciro. “Ele está pronto para assumir qualquer tarefa e ele nos liderará. Se depender de mim, ele é o candidato, mas ele sabe o que é melhor para ele e para Santa Catarina”, disse.

Nacionalmente, o PDT tem conversas com partidos que devem ter candidatos em SC. Prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro deve ser o candidato do União Brasil, partido que será formado pela união entre DEM, o partido de Loureiro, e o PSL. É uma possibilidade de palanque para Ciro, a depender do andamento das conversas. Outra conversa é com o PSB, que convidou o ex-deputado Jorge Boeira para concorrer ao governo estadual.

O terceiro vídeo aborda a busca pelo vice, que Ciro responde ao ser perguntado quem escolheria entre José Luiz Datena (PSL), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Rodrigo Pacheco (PSD).

Ciro Gomes tratou de diversos temas na coletiva, mas não fez grandes revelações para quem está acostumado a acompanhar suas frequentes entrevistas. Críticas ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente Lula, que lideram as pesquisas, foram feitas em vários momentos. Rejeitou a ideia de que o povo da região sul é bolsonarista, apesar da ampla votação em 2018. Criticou parte da elite econômica, que “trocou o coração por uma pedra”, e falou sobre emprego e educação, além de elogiar o modelo econômico catarinense, que trata como inspiração para o país.

Advogado, Ciro atua na política desde a juventude. Foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, deputado estadual e federal pelo mesmo estado e ministro em dois governos. No de Itamar Franco (PMDB), foi ministro da economia e participou da criação do Plano Real. Já no governo Lula (PT), foi ministro da integração nacional, atuando na transposição do rio São Francisco e na construção da hidrelétrica de Belo Monte. Candidato em 1998 e em 2002, não concorreu nos anos seguintes, quando foi aliado dos governos petistas.

O presidenciável tem sido um crítico frequente de Jair Bolsonaro, candidato à reeleição atualmente sem partido, e de Luiz Inácio Lula da Silva, petista que presidiu o país entre 2003 e 2010. Os dois lideram as pesquisas de intenção de votos nesse momento. Em entrevistas diárias à imprensa ou em programas do partido, chama Bolsonaro de ladrão para baixo. Sempre questionado sobre Lula, de quem é ex-aliado, não poupa críticas ao ex-presidente, especialmente ao modelo econômico adotado naquele período. No início do ano, anunciou a contratação do publicitário João Santana, que liderou campanhas do PT em outras ocasiões. Depois dessa contratação, subiu o tom nas críticas ao partido de esquerda, o que tem gerado cada vez divergências entre os eleitores das duas siglas.

A estratégia declarada do pedetista é superar o atual presidente no primeiro turno e enfrentar o petista, que no momento apresenta larga vantagem nas pesquisas, na segunda e derradeira etapa. Além das críticas cotidianas aos líderes, tem aumentado a intensidade da pré-campanha neste segundo semestre. A visita a Joinville — cidade na qual conquistou 20.138 votos (6,30%) em 2018 — fez parte deste roteiro.