Rodrigo Bornholt acompanha Vignatti em Brasília e revela planos para 2022

Texto: Felipe Silveira
Foto: Redes sociais

Presidente do PSB de Joinville, Rodrigo Bornholdt esteve em Brasília (DF) nesta semana, acompanhando o presidente da sigla em SC, Claudio Vignatti, em visitas a correlegionários. Além da construção partidária, o joinvilense também se ambientou a um possível destino. Se participar da eleição no ano que vem — decisão que ainda não tomou — será para concorrer a deputado federal.

“Se for, é a federal. É a única hipótese. Eu não vou me candidatar a deputado estadual”, garantiu.

Apesar da possibilidade, Bornholdt considera prematuro falar em candidatura. Disse que vai se decidir em meados do próximo semestre e frisou que tem atuado na política para além do campo partidário e eleitoral. “Sempre tive uma atividade política e comunitária bastante intensa”, disse o advogado, que de fato tem participado de diferentes lutas populares, como o apoio à greve dos servidores municipais contra a reforma da previdência municipal e outras atividades ligadas ao campo cultural no município.

Na condição de dirigente partidário, afirmou que o partido busca dois ou três nomes na região norte para disputar uma vaga na assembleia estadual, ressaltando que um deles será o de uma mulher com uma candidatura forte. “Com densidade”.

Conversas em Brasília

Por questões de agenda, Bornholdt não conseguiu participar da conversa entre Carlos Siqueira (presidente nacional do PSB), Claudio Vignatti e o ex-deputado Jorge Boeira, convidado para ser candidato a governador pelo partido. No dia seguinte, Bornholdt participou de conversas com lideranças do partido. Além de Siqueira, visitou o deputado federal Alessandro Molon, uma das lideranças nacionais mais conhecidas da sigla e líder da oposição no Congresso.

Além de discussões sobre alianças (o partido apoiou o PDT na eleição de 2014 e hoje tem conversas adiantas, mas ainda não acertadas, com o PT), conversaram sobre projetos do partido e a situação do país. “Questões como a fome, porque o Brasil voltou para o mapa da fome, questões econômicas e de sustentabilidade”, resumiu.

Candidatura de Boeira

O presidente do PSB joinvilense também falou sobre o convite que o partido fez ao ex-deputado Jorge Boeira para concorrer ao governo do estado. Empresário de sucesso do sul do estado — um “self made man”, na expressão em inglês destacada por Bornholdt —, Boeira tem uma trajetória inusitada na política. Eleito pelo PT à Câmara Federal em 2002, deixou o partido em 2011. Andou pelo PSD e parou no PP, partido de direita pelo qual se reelegeu em 2014 e onda ainda está. Pelo menos até aceitar o convite já oficializado do PSB.

Em divulgação do convite nas redes sociais, Vignatti destacou que, caso se concretize, seria uma candidatura de centro, situação que Bornholdt comentou:

“Ele tem uma interlocução boa com vários setores que a esquerda tradicional não tem. É nesse sentido que o Vignatti fala que é uma candidatura de centro […] O Boeira é um homem de centro-esquerda, que é a linha do PSB. A candidatura dele se encaixa bem nessa linha e a ideia é construir uma ampla frente de contestação ao Bolsonaro aqui em Santa Catarina. Essa frente será liderada pelo Boeira se vier a se concretizar a filiação”.

Nova fase do partido

Partido com a palavra socialismo no nome, o PSB tenta se consolidar na centro-esquerda após uma aventura à direita, especialmente em Santa Catarina. Eduardo Campos, que morreu em acidente de avião durante a campanha presidencial de 2014, havia dado o controle da sigla em SC para Paulinho Bornhausen no ano anterior como parte do projeto à presidência. Com a morte de Campos, o partido ficou sem identidade, mas começou a caminhar para a esquerda nos últimos anos, o que gerou diversos conflitos com os políticos catarinenses, incluindo o deputado joinvilense Rodrigo Coelho (Podemos), que ganhou o mandato na Justiça.

No último ano, o partido buscou lideranças para compor o projeto estadual. O ex-petista Claudio Vignatti, com base eleitoral na região oeste, assumiu o comando em SC e tem trabalhado intensamente na filiação de lideranças. Ele deve ser o principal nome na disputa à câmara federal. Ex-vice-prefeito de Joinville que concorreu duas vezes à prefeitura pelo PDT, Rodrigo Bornholdt foi uma dessas lideranças que topou participar do projeto e tem atuado na reconstrução da sigla.

Nacionalmente, o partido faz o mesmo movimento. Nomes como deputado federal Marcelo Freixo, ex-PSOL, a deputada federal Tábata Amaral, ex-PDT, e o governador do Maranhão, Flávio Dino, ex-PCdoB, ingressaram no partido recentemente.