Movimento feminista realiza protesto contra médico estuprador em Joinville

Texto: Vinícius Sprotte
Foto: Polícia Civil

Ocorre neste sábado (23), na Praça Nereu Ramos, a partir das 10 horas, um protesto contra o médico acusado de estuprar pacientes. Preso no dia 1º deste mês, no bairro Boa Vista, ele atuava nas redes pública e privada da maior cidade de SC e responde pelo crime de estupro de uma adolescente na Bahia.

Anelise Wisbeck, fundadora do grupo Movimento Feminista da Diversidade (MFD), e Carolina Brüsch, movimentam as redes sociais para que militantes compareçam ao protesto. Elas pedem que as pessoas vistam roupas pretas na manifestação.

 “O foco do protesto é estupro, uma das maiores violências que uma mulher pode sofrer, tanto ao seu corpo quanto a sua dignidade. Tendo como estopim o caso do médico que agia utilizando da sua autoridade médica, militar e religiosa, sem qualquer receio de ser punido. Mesmo já sendo investigado pelo mesmo crime”, disse Carolina.

Anelise considera importante que os manifestantes consigam chamar a atenção de todos e das autoridades para que este médico estuprador seja condenado pelo seu crime e para fortalecer outras vítimas, de modo que elas se sintam encorajadas a denunciar.

“Estupro é crime e crime hediondo e não pode ficar impune”, cobrou.

Para ela, a sociedade precisa se unir em prol da igualdade, dando um basta ao machismo. “Homens e mulheres precisam se unir para desconstruir o machismo e o sexismo que coloca o corpo da mulher como objeto e não como pertencimento somente a ela”, disse.

Para Anelise, a prefeitura errou ao contratar um funcionário que respondia pelo crime do estupro em outra região. “Apesar da prefeitura poder contratar um funcionário não condenado, mas que em algum momento já respondia um outro processo pela mesma acusação, qual o peso de responsabilidade deles quanto a isso? E quanto às dificuldades que a vítima está passando? O que pode ser feito para mudar este cenário futuramente?”, reflete.

A militante feminista cogita audiências públicas para debater sobre o tema no caso de a decisão judicial ser decepcionante.

Violência contra a mulher

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), em Santa Catarina, Chapecó é a cidade em que mais acontecem crimes de violência contra mulheres. Joinville está em segundo lugar, seguida por Florianópolis e Blumenau, respectivamente.

Santa Catarina é o quarto estado em que mais acontecem crimes de estupro motificados por crianças e adolescentes, segundo o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O Estado fica atrás de Mato Grosso do Sul, líder do ranking, de Rondônia e do Paraná.  Esses dados são fornecidos pelas secretarias de segurança pública estaduais, polícias civis, militares e federal, além de outras fontes oficiais ligadas à Segurança Pública.

No Brasil, pelo menos 8,9% das mulheres já sofreram algum tipo de violência sexual na vida, de acordo com dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em conjunto com o Ministério da Saúde.

Denuncie

Quem quiser denunciar qualquer crime relacionado a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento, em território nacional, deve discar o número 100. Por meio desse serviço, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebe, analisa e encaminha aos órgãos de proteção e responsabilização as denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população LGBT, população em situação de rua, entre outros.

No estado existe o Disque 181. Vítimas podem fazer boletins de ocorrência, pela delegacia virtual, no site da Polícia Civil. Outras formas de denúncias são via aplicativo de mensagens de texto pelo telefone da Polícia Civil (48) 98844-0011, em qualquer horário. Além disso, existe o Disque 193, da Polícia Militar, e (47) 3481-3628, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso.

O Movimento Feminista da Diversidade também colocou à disposição dois e-mails para denúncias relacionadas ao caso do médico em Joinville: denuncieseuestupro@gmail.com e denuncie.mfd@gmail.com