Deputado catarinense lidera associação de vítimas da covid-19 e cobra políticas de reparação

Texto: Felipe Silveira
Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Informações: Câmara dos Deputados | Assessoria

Na segunda-feira (18), a CPI da Covid no Senado ouviu uma série de depoimentos de familiares das vítimas da pandemia que emocionaram o país. Uma jovem que perdeu os pais; uma enfermeira que assumiu a criação dos filhos da irmã vítima da covid-19 e viu colegas sucumbirem à depressão; e pais que perderam os filhos. A maioria desses depoimentos foi dado por integrantes da Associação Nacional em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19 – Vida e Justiça, idealizada e articulada pelo deputado federal catarinense Pedro Uczai (PT).

Em maio, pouco depois do auge da pandemia no Brasil, quando o país chegou a 450 mil mortes, o parlamentar com base eleitoral no oeste de SC botou na cabeça que articularia um grupo para dar apoio — jurídico, psicológico e social — às famílias e lutar por reparação. Do seu gabinete surgiram as primeiras chamadas públicas para a criação do grupo, formalizada em assembleia geral no dia 21 de maio.

Desde então o grupo tem participado de diversas atividades. Uma das mais importantes ocorreu em Brasília, na terça-feira (20), também com articulação de Pedro Uczai. A Câmara dos Deputados realizou uma comissão geral (um tipo de reunião) para discutir políticas públicas de apoio às vítimas da doença, cobrar a responsabilização das autoridades pelas falhas apontadas e a reparação a familiares, órfãos e outros segmentos da população diretamente impactados pela crise sanitária.

O principal alvo das críticas não poderia ser outro: Jair Bolsonaro. Os debatedores citaram a demora no início da vacinação contra a covid-19, a recomendação de medicamentos sem eficácia comprovada, o incentivo à chamada “imunidade de rebanho” e o cumprimento de compromissos sem o uso de máscara e provocando aglomerações.

Uczai falou sobre dez propostas legislativas para apoiar as vítimas da covid-19, elaboradas em parceria com a associação. Entre os temas está a taxação de pessoas de alta renda e do setor financeiro para custear o tratamento das sequelas. Ele enfatizou a importância da reparação às vítimas.

“Sem nenhuma vingança, mas exigir justiça, exigir reparação com os órfãos da Covid, com os que se empobreceram com a Covid, com os sequelados da Covid, para que a gente possa, nesse Parlamento brasileiro, dizer a todas as vítimas e aos milhões de brasileiros sequelados: nós vamos construir legislações, políticas públicas para atendê-los”, disse.

Renato Simões, um dos representantes da Associação Vida e Justiça, destacou o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e assistência social como medidas importantes. “Nós vamos compor aqui, ao final dessa comissão geral, um painel, um mosaico de todas as lutas, reivindicações e propostas da sociedade civil brasileira, para enfrentar a crise na saúde, aparelhar o SUS, defender o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), e ampliar os direitos previdenciários e assistenciais das vítimas a serem reparadas”, disse.

Simões também citou o problema dos órfãos e órfãs da covid-19 e a necessidade de uma “Comissão Nacional da Verdade, empoderando a sociedade civil para dar continuidade aos trabalhos de onde a CPI parou.”

Membros da Associação Vida e Justiça falam sobre a perda de familiares na CPI da Covid no Senado – Foto: Associação Vida e Justiça