Bolsonarista radical deixa Alesc após um mês de suplência

Texto: Felipe Silveira
Foto: Rodolfo Espínola/Alesc

O deputado suplente Rudinei Floriano (PSL), que por 30 dias ocupou a cadeira do deputado licenciado Coronel Mocellin (PSL), despediu-se da Assembleia Legislativa (Alesc) durante a sessão de quinta-feira (14). Ele agradeceu ao deputado titular pela oportunidade e a toda a equipe do gabinete pelo apoio. “Uma coisa é ver o parlamento de fora, outra coisa é estar aqui.”

Floriano, que é natural de Joinville e ligado à Polícia Militar, acrescentou que um período de 30 dias é muito curto, mas afirmou que conseguiu fazer moções, projetos de lei e requerimentos. Um dos momentos que chamou a atenção durante o mandato foi a rejeição de uma moção proposta pelo deputado, algo raro nos parlamentos.

Floriano queria que a Alesc apelasse ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela revogação da prisão preventiva de Marcos Antônio Pereira Gomes, o suposto caminhoneiro conhecido como Zé Trovão, que atuou fortemente em tentativa de golpe de estado no dia 7 de setembro. O pedido recebeu 14 votos contrários e oito favoráveis, além de duas abstenções. “Completamente descabido”, comentou um deputado na tribuna.

Em outro momento, Floriano defendeu a aplicação de remédios ineficazes contra a covid-19 como método de prevenção e tratamento. Segundo especialistas em saúde, a propaganda desses remédios por parte de Jair Bolsonaro e seus seguidores foi uma das razões que elevou o número de mortes ligadas à doença no Brasil, já que pessoas deixaram de se cuidar por acreditar em um remédio que não funciona contra o vírus.

Floriano disse que toma ivermectina todo mês e recomendou que quem quiser fazer uso dos medicamentos do chamado “kit covid” deve fazê-lo porque são “medicamentos usados há muitos anos”, demonstrando total desconhecimento sobre saúde. Floriano afirmou ainda enfatizou que era contra “a obrigatoriedade da vacina” e classificou como “palhaçada” que os países estrangeiros exijam passaporte sanitário.

O deputado Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde, fez questão de deixar claro que aquela não era a opinião majoritária da Assembleia Legislativa. O petista defendeu que as pessoas tomem a primeira dose da vacina, a segunda dose e a dose de reforço, se necessário.

Em outro debate, em que o também suplente Adrianinho (PT) criticou a inflação e a política econômica do governo, Floriano atacou o comunismo. “A pandemia é um golpe do comunismo”, avaliou Floriano, acrescentando que o governo federal investiu R$ 295 bi em auxílio emergencial e que em 2021 cerca de 30 milhões de pessoas foram contempladas. Cabe lembrar que o auxílio-emergencial mais amplo, com parcela de R$ 600, foi uma conquista do Congresso Nacional.

Durante todo o mandato, o suplente joinvilense defendeu bobagens da narrativa bolsonarista, como as mencionadas acima. Ao se despedir, foi gentil com os colegas. “Hoje mais do que nunca vejo a importância desta casa para a democracia e o quanto é importante termos aqui bons deputados, pessoas comprometidas com a sociedade. Isso me motiva a continuar buscando essa representatividade dos catarinenses.”