Deputados de Joinville silenciam sobre dinheiro em paraísos fiscais de Paulo Guedes e Luciano Hang

Texto: Felipe Silveira
Foto: Agência Brasil

Os três deputados federais da região de Joinville — Darci de Matos (PSD), Rodrigo Coelho (Podemos) e Coronel Armando (PSL) — ainda não se pronunciaram, em suas principais redes sociais, sobre o escândalo Pandora Papers, que revelou a existência de dinheiro e de empresas de empresários e políticos em paraísos fiscais. O ministro da economia, Paulo Guedes, e o empresário catarinense Luciano Hang, são nomes citados no caso trazido à tona pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ – sigla em inglês). No Brasil, as denúncias foram feitas pela revista Piauí, pela Agência Pública e pelos sites jornalísticos Poder 360 e Metrópoles, integrantes do consórcio.

A princípio, não há ilegalidade na existência das contas e empresas offshores, mas os proprietários devem explicações à sociedade e ao poder público, que por sua vez deve investigar eventuais conflitos de interesse, condutas éticas e até mesmo eventuais crimes, como evasão de divisas. Às autoridades públicas, como deputados, senadores, Ministério Público e Receita Federal, cabe a função de apurar eventuais e cobrar tais explicações.

O caso de Paulo Guedes é mais emblemático. Controlador da economia brasileira, lucrou milhões com a alta do dólar, que subiu de maneira exponencial durante sua gestão. Cabe ressaltar que a alta do dólar beneficia, além de quem tem dólar em paraíso fiscal, os grandes exportadores nacionais enquanto prejudica a maior parte da população que precisa comprar produtos da subsistência adquiridos em dólar.

Guedes é o proprietário da Dreadnoughts International, empresa que fundou em 2014, nas Ilhas Virgens Britânicas, e na qual aportou 9,55 milhões de dólares, em sociedade com a esposa e a filha. O dinheiro investido à época equivalia a 23 milhões de reais e agora valem 51 milhões de reais, já que houve alta de 39% na taxa de câmbio, na qual Guedes influencia diretamente. Apesar de alertado por órgão de ética da presidência, Guedes não deixou de controlar a empresa. O caso está explicado em detalhes nesta reportagem da revista Piauí.

Agora o ministro terá que se explicar aos deputados e senadores, que aprovaram a convocação e o convite, respectivamente, na segunda-feira (4), um dia após o escândalo vir à tona (Poder 360). A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou requerimentos elaborados pelos deputados Kim Kataguiri (DEM-SP) e Paulo Ramos (PDT-RJ). Já a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado também votou convocação de Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que também tem dinheiro no exterior. Os requerimentos foram elaborados por Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Jean Paul (PT-RN) e Paulo Rocha (PT-PA), mas transformados em convite.

Influenciador digital bolsonarista e performático empresário catarinense, Luciano Hang também teve dados revelados pela Pandora Papers. Segundo as reportagens dos sites Poder 360 e Metrópoles, o dono da rede de lojas Havan manteve por 17 anos uma empresa com patrimônio superior a 100 milhões de dólares em um paraíso fiscal sem declarar à Receita Federal. A declaração de bens no exterior foi realizada em 2016, quando o governo de Dilma Rousseff criou um programa de repatriação de recursos que permitia a declaração de bens não declarados no exterior. Já a informação para o mercado só ocorreu em 2020, na tentativa de abertura de capital da Havan. Hang já enfrentou uma série de investigações do Ministério Público Federal e idas e vindas à Justiça relacionadas ao fisco. Entre condenações e absolvições, escapou de alguns processos porque prescreveram (perderam a validade com o tempo).

O empresário é idolatrado por bolsonaristas, incluindo boa parte dos políticos de Santa Catarina. Na segunda-feira, Coronel Armando o visitou em Brusque, terra natal de Hang, e registrou seu apoio ao bilionário que mantém negócios em paraíso fiscal.

Empresário performa como patriota, mas manteve empresa em paraíso fiscal sem declarar impostos por 17 anos – Foto: Facebook de Luciano Hang