Em audiência pública, moradores do Aventureiro cobram mais segurança

Edição: Felipe Silveira
Foto: Mauro Artur Schlieck/CVJ
Informações: Jornalismo da CVJ

Os vereadores da Comissão de Proteção Civil e Segurança Pública ouviram moradores do bairro Aventureiro em audiência pública na noite de segunda-feira (20). Preocupados com roubos e furtos, comerciantes estão fazendo rondas até de madrugada por conta própria. As polícias militar e civil, no entanto, disseram que os índices de violência estão em queda no Aventureiro, mas mantiveram os números sob sigilo.

Presidente da comissão, Ascendino Batista (PSD) foi quem sugeriu a reunião. “O comércio vem sofrendo com roubos e furtos, em decorrência da falta de investimentos do Estado”, afirmou. Assim como as autoridades e cidadãos que falaram na sequência, Batista pediu mais policiais no bairro.

“O problema de segurança no bairro não é de hoje”, afirmou o comerciante Marcos Junior Pederssetti. Ele faz parte de um grupo de comerciantes que se juntaram para monitorar a violência. Em um mesmo dia, oito locais foram roubados, conta Pederssetti, levando os comerciantes a iniciar rondas durante o dia e a madrugada. “Os comerciantes têm dúvida de como vão encontrar seus estabelecimentos no dia seguinte”, disse, pedindo mais policiamento e câmeras de vigilância.

Recentemente, bandidos armados assaltaram uma imobiliária e fizeram as funcionárias reféns, contou o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Aventureiro, Osvaldo Visentainer. Furtos de portões de alumínio não são mais novidade, assim como de bicicletas.

As polícias civil e militar reconhecem que o número de policiais para atender à população é insuficiente. “O efetivo não sobe, mas sobe a população e os problemas sobem”, disse o tenente-coronel Celso Mlanarczyki Júnior, comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar. Ele ressaltou que a tecnologia contra o crime, entretanto, teve avanços nos últimos anos.

O tenente-coronel apresentou percentuais de queda na criminalidade no bairro Aventureiro, mas preferiu manter os números sob “sigilo da informação”. No gráfico apresentado por ele, os furtos e roubos vêm se mantendo em queda desde 2016. Em 2020, o Aventureiro era o oitavo bairro no ranking de furtos da cidade. Já em 2021, ele está em nono.

Quanto a roubos, o bairro caiu de segundo, na lista do ano passado, para sexto na desse ano, deixando de ser “a bola da vez”, segundo o tenente-coronel. Diminuiu também o número de homicídios, chegando a menos 63%. “Tem furto a rodo, é uma cidade grande, muitas vezes sem estrutura, e também é uma questão social”, disse Mlanarczyki Júnior.

“Os índices criminais vêm numa redução”, disse a delegada regional da Polícia Civil, Tânia Harada. A exceção é o número de estelionatos, os golpes que aumentaram muito depois da pandemia, principalmente pelo celular. A delegada pediu aos cidadãos que se previnam, acessando informações nas redes sociais da polícia e veiculadas na mídia.

Os dois policiais admitem que é difícil manter as prisões, no caso de roubos e furtos. “A gente sabe que tem muito furto, de tudo, mas, por vezes, aquele cidadão não fica na prisão, por uma série de questões”, disse o tenente-coronel.

Para o secretário de Proteção Civil e Segurança Pública (Seprot), Paulo Rigo, os índices de criminalidade de Joinville são “relativamente baixos”, se comparados aos de outras cidades brasileiras. Ele reconheceu, contudo, que é preciso não se deixar acomodar. Rigo disse que a Seprot está “alinhada” com as forças de segurança e que a prefeitura tem feito investimentos importantes, como na iluminação pública e revitalização de praças. Está nos planos o monitoramento das saídas de Joinville, ao custo de R$ 6 milhões.

Mais policiais

A falta de segurança, assaltos, furtos, homicídios e outros crimes registrados em Joinville já motivou a ida de vereadores a Florianópolis em 12 de agosto. Eles se encontraram o comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, Dionei Tonet. Como resposta, tiveram a garantia da reposição dos policiais que estão se aposentando este ano e um possível aumento no efetivo já para 2022. A iniciativa da reunião partiu do vereador Pastor Ascendino Batista, que entregou a Dionei Tonet uma moção por mais policiamento.

Na reunião de segunda, o deputado estadual Sargento Lima (PL) disse que “a raiz de todo e qualquer problema é a escassez de recursos”, referindo-se à falta de policiais, estrutura e equipamentos. Ele contou ter enviado R$ 1,5 milhão em emendas parlamentares para segurança pública no estado. Lima afirmou, contudo, que não fará mais isso até que o governo estadual distribua de forma mais adequada os novos policiais, mandando mais efetivo para a região de Joinville.