Comissões cobram início do serviço de psicologia nas escolas

Os vereadores das comissões de Educação e de Saúde debateram na terça-feira (14) a implementação da Lei Federal 13.935/2019. A legislação prevê a prestação de serviços de psicologia e de assistência social nas escolas. O debate foi sugerido pelo vereador Diego Machado (PSDB), que queria saber se as escolas estão preparadas para isso e se os psicólogos que atuarão nelas já estão de prontidão.

Para o vereador Diego Machado, esses profissionais serão de extrema relevância no ambiente escolar. “Ouvimos relatos de professores que nos deixam chocados, a maneira como alunos convivem com conflitos familiares e isso afeta a vida escolar. O profissional de psicologia é muito necessário na rede de ensino”, afirmou.

A lei previa prazo de um ano para as escolas se adaptarem. Entretanto, em decorrência da pandemia, esse prazo acabou não sendo cumprido. A Secretaria de Educação de Santa Catarina prevê a implantação para o início do ano letivo de 2022. A Secretaria Municipal de Educação trabalhar para contar com esses profissionais a partir do último trimestre do ano. Os profissionais serão contratados em caráter temporário.

Para os vereadores participantes da reunião, a presença do psicólogo e do assistente social nas instituições de ensino é de grande importância para entender e evitar diferentes problemas, como racismo, evasão escolar e questões de saúde como ansiedade, depressão e suicídio. “Muitos não se sentem acolhidos nas escolas e precisamos atuar no problema”, destacou a vereadora Ana Lúcia Martins (PT).

Vereador Brandel Junior (Podemos), presidente da Comissão de Educação, lembrou de outro problema, especialmente nas escolas da periferia, que é o crime organizado. “De que forma serão trabalhados esses conflitos entre as famílias, com os filhos dentro de casa e dentro da escola? Sabemos que isso leva à evasão escolar. Como olhar a individualidade de cada criança? Isso muito me preocupa. Por isso entendo ser de grande importância esses profissionais no ambiente escolar”, pontuou Brandel.

Segundo a Secretaria de Educação de Joinville, a rede contará com duplas formadas por um psicólogo e um assistente social. Serão sete duplas atuando nas escolas da região norte; sete, na região leste; quatro, na região oeste; e 16, na sul. Segundo a coordenadora do Núcleo de Educação Especial, Valdirene Siegler Simão, a divisão das equipes levou em conta questões como demanda, evasão escolar, maus tratos e vulnerabilidade social das regiões, mas segue uma média de uma dupla a cada 1.800 a 2.200 alunos.

Segundo o supervisor regional de educação, Alcinei da Costa Cabral, da Gerência Regional de Educação do Estado, o projeto de implantação está na Secretaria de Administração em fase de ajustes finais. A princípio, a contratação dos profissionais deverá ser por meio de um processo seletivo, mas ainda não há quantitativo definido, pois depende de definições orçamentárias.

Para a gestora educacional da Escola de Educação Básica Francisco Eberhardt, Elenir da Silva Rodrigues, os profissionais de educação trabalham com vidas, e por mais que queiram, não conseguem atender todas as demandas dos estudantes. “Todos os dias atendemos alunos com várias questões, e não me sinto preparada para isso, pois não sou psicóloga”, afirmou.

Luta de 20 anos

Segundo a psicóloga e representante do Conselho Regional de Psicologia, Mariana Datria Schulze, a luta pela psicologia nas escolas dura mais de 20 anos, assim como a luta da assistência social. Segundo ela, os conselhos das duas profissões já vêm produzindo materiais orientativos para os profissionais que atuarão na rede de ensino, além de todo o arcabouço teórico já existente.

Mariana explicou que o trabalho do psicólogo que atuará nas escolas diferencia-se do trabalho dos psicólogos clínicos. “O atendimento clínico é uma demanda do indivíduo, enquanto o trabalho nas escolas será em conjunto com a equipe multidisciplinar em que os profissionais poderão avaliar o contexto daquele ambiente”, explicou.

Ainda salienta que é importante a equipe multidisciplinar ser formada por um profissional de psicologia e um assistente social, que de fato estejam no ambiente da escola. “Essa equipe irá potencializar a aprendizagem dos alunos, entendendo o ambiente escolar e todos os sujeitos o compõe, professores, profissionais e alunos, além do entorno das unidades de ensino”, disse Mariana.

Edição: Felipe Silveira
Foto: Mauro Artur Schlieck/CVJ
Informações: Divisão de Jornalismo da CVJ