Deputados rejeitam projeto que proibia corrida de cães em SC

Por maioria de votos, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina rejeitou, na sessão desta quarta-feira (25), o Projeto de Lei 70/2021, de autoria do deputado Marcius Machado (PL), que proibia a realização de corrida de cães no estado. Com a decisão, a proposta será arquivada. A proposta foi rejeitada por 17 votos a quatro, além de três abstenções.

A matéria alterava Código Estadual de Proteção de Animais (Lei 12.854/2003) para proibir a realização das corridas de quaisquer raças de cães. Na justificativa da proposta, o autor argumentou que as competições causam danos físicos e psíquicos aos animais envolvidos. Em alguns casos, conforme o deputado, os cães recebem substâncias para melhorar o desempenho. A prática, de acordo com Marcius, já foi proibida em outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

João Amin (PP), Kennedy Nunes (PTB), Neodi Saretta (PT) e Padre Pedro Baldissera (PT) foram os únicos que votaram a favor. Alguns parlamentares justificaram o voto contrário a partir de achismos e provocações:

“É um projeto que deixa muitos pontos em aberto”, considerou Bruno Souza (Novo). “Pode prejudicar atividades praticadas por clubes, que são insuspeitos, gostam dos animais, não estão ali para maltratar. Essa lei não irá aumentar a proteção dos cães e poderá trazer empecilhos.”

Jessé Lopes (PSL) criticou que o chamou de “pautas dos ‘ecochatos’”. “O que é que tem os cachorros correrem? Eles até se divertem”, disse. “A tendência é daqui a pouco não poder comer mais churrasco.”

Rodrigo Minotto (PDT) considerou que a corrida de cães não se configura como maltrato. “Daqui a pouco vai proibir corrida de cavalo”, afirmou. “Acho que isso [a proibição] é até prejudicial, não contribui para a qualidade de vida do animal”.

O deputado Silvio Dreveck (PP), que se absteve, afirmou que não compreendeu o teor do projeto e pediu esclarecimentos ao autor, que não estava presente na hora da votação. “Parece que em Santa Catarina não temos essa prática [da corrida de cães]”, disse.

No dia seguinte, Marcius Machado (PL) comentou a decisão dos colegas. Ele considerou uma derrota gigantesca para a proteção animal e disse que pretende reapresentar o projeto no próximo ano e trabalhar no convencimento dos demais deputados. Ele acrescentou que as corridas de cães já foram proibidas na Argentina, no Uruguai e no Rio Grande do Sul porque são práticas que empregam maus tratos. “Os animais são estimulados com drogas para que possam correr mais rápido”, explicou.

Texto: Felipe Silveira
Foto e informações: Alesc