Com Guilherme Luiz na presidência, PSOL Joinville deve buscar alianças em nova fase

Texto: Felipe Silveira
Foto: Divulgação

Majoritariamente dividida pelo bolsonarismo, por liberais ao estilo do Novo e pela direita tradicional (embora seja difícil diferenciá-los), Joinville reserva pouco espaço para a esquerda. Os poucos votos que o chamado campo progressista têm ainda são disputados por grupos diferentes (embora estes costumeiramente se unam em protestos e outras atividades políticas). Os mais fortes são o PT e o PDT, que possuem cadeiras na câmara e projetos nacionais mais consolidados, e o PSB, que tem se organizado mais recentemente.

Quem também quer disputar mais espaço na cidade é o PSOL, que elegeu nova direção no último sábado (21). O analista de sistemas e estudante de administração pública Guilherme Luiz, de 24 anos, será o presidente da sigla socialista. Nesta nova fase, a tendência é que o partido busque mais alianças. A gestão anterior, comandada pelo ex-vereador Adilson Mariano, ligado à organização Esquerda Marxista (EM), era mais refratária a acordos com partidos que não considerava tão de esquerda quanto ela. Sendo assim, por exemplo, o diálogo com o PT sequer foi cogitado na eleição municipal de 2020.

Guilherme é ligado à organização Primavera Socialista, que também comanda o partido nacionalmente e defende alianças para 2022. Ao que tudo indica, o partido deve apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo PT. Algo muito grande tem que acontecer de um lado ou de outro para que o acordo não seja fechado.

Ao votar no sábado, a militância psolista sabia que este era um dos temas em jogo. O voto nas chapas da Primavera Socialista, tanto para a direção estadual quanto para a municipal, era um passo na direção de alianças, especialmente com o PT. Este movimento é corroborado por lideranças nacionais do partido, como Guilherme Boulos, que concorreu à presidência pelo partido em 2018 e já sinalizou que não disputará o Planalto em 2022. Outros nomes, como o deputado Glauber Braga, querem a candidatura própria da sigla.

“A Primavera Socialista acredita que a saída para a crise, neste momento, não se dará com isolamento político e social. Pelo contrário, apostamos nossas fichas num partido que tem responsabilidade e maturidade para dialogar com outros agentes políticos e outros partidos. Aqui em Joinville não será diferente. O que nos move é o inimigo em comum: a direita que tira direitos, quer roubar os patrimônios do nosso povo e, com Bolsonaro e o bolsonarismo, quer tirar até o que nos resta de democracia”, afirmou Guilherme.

Falando em bolsonarismo, Guilherme sabe que o desafio de construir um partido de esquerda é mais complexo em Joinville, cidade que deu mais de 83% dos votos do segundo turno para Jair Bolsonaro. A cidade também elegeu, em 2020, o único prefeito do partido Novo no país, o empresário Adriano Silva. “Não vou dizer que é fácil”, revelou o novo presidente psolista, frisando que é a vontade de “amar e mudar as coisas”, como diz a música de Belchior, é maior.

Segundo Guilherme, a estratégia é o diálogo. “Conversar com quem concordamos sempre é fácil, mas a verdade é que pouco adianta. O debate público no geral está empacado, já que o bolsonarismo o impede de avançar criando diariamente polêmicas inúteis, vazias e infundadas. Mas tenho certeza que superaremos este momento e, a partir disso, poderemos realizar atividades, conversas, formações e debates que atraiam pessoas do partido e do campo da esquerda, além de pessoas interessadas no contraditório ou mesmo no desconhecido. Vamos falar de taxação de grandes fortunas? Vamos falar sobre desigualdade? Vamos falar sobre políticas contra opressões? São temas que deveriam ser relevantes e deveriam chamar pessoas interessadas. É um caminho. É um começo.”

Engrossar as fileiras do partido e trabalhar na formação política dos filiados são metas da nova diretoria, que irá se reunir em breve para definir os primeiros passos. Para Guilherme, o partido já é visto como referência na oposição ao bolsonarismo, o que contribui para a busca de um protagonismo municipal. Para 2022, o partido planeja derrotar o bolsonarismo a partir da unidade (ou seja, com alianças), superar a cláusula de barreira e eleger pela primeira vez parlamentares do partido à Alesc e ao Congresso Nacional. “Estaremos trabalhando fortemente para que Joinville possa contribuir para todos estes desafios”, finalizou Guilherme.