Servidores públicos de Joinville entram em greve na quarta-feira

Em assembleia realizada na quinta-feira (12), os servidores públicos de Joinville decidiram entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (18). Na data, vão se reunir em frente à Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), a partir das 9 horas da manhã. Entre os motivos estão a reforma administrativa que tramita na Câmara dos Deputados, a discussão salarial parada, a possibilidade de contratação de organizações sociais para administrar serviços públicos, a reforma da previdência municipal e o rombo no Ipreville.

A assembleia contou com a participação do economista José Álvaro Cardoso, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que falou sobre a reforma administrativa, a PEC 32. Segundo ele, a reforma acaba com a estabilidade, facilita a terceirização, tira a responsabilidade do Estado sobre os serviços públicos, tira direitos do servidor e prejudica principalmente a qualidade dos serviços públicos. Para detalhar a proposta, o Sinsej e o Fórum dos Servidores Públicos no Estado vai realizar uma aula pública sobre o tema, que ainda será divulgada.

Outro tema abordado pelos servidores é a campanha salarial. De acordo com a presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville e Região (Sinsej), Jane Becker, as negociações referentes à campanha salarial estão paradas e que é possível que não haja reajuste e ainda se aumento o desconto previdenciário em 3%.

A reforma da previdência e o déficit atuarial apontado pela auditoria contratada pelo sindicato também mobilizam os servidores. Eles esperavam um déficit menor, o que poderia ajudar a evitar a reforma municipal, mas foi apontado um rombo ainda maior do que os números apresentados pela prefeitura. Em vez de R$ 1,2 bilhão, o déficit é de R$ 1,7 bilhão.

“Fomos enganados quando disseram que o Ipreville era superavitário e fomos enganados quando a prefeitura disse que o déficit era de R$1,2 bi”, disse Jane Becker.

A auditoria ainda apontou uma série de inconsistências e problemas, como a aplicação de um plano de custeio inadequado quando foi instituído o Regime Próprio de Previdência do Servidor e por longo tempo de vigência; o atraso ou falta de repasse das contribuições instituídas por lei; a utilização de recursos financeiros para outros fins, que não os previdenciários; o ingresso de novos servidores sem a devida compensação; e base cadastral incompleta. A auditoria também recomendou que o Ipreville corrija as informações; faça o recenseamento dos servidores, faça um novo cálculo e um novo plano futuro para o Instituto.

Os servidores também decidiram em assembleia que vão solicitar a abertura de uma CPI do Ipreville na CVJ; que seja feita uma denúncia sobre as irregularidades nas contas do Instituto para o Ministério Público e para a Secretaria Geral da Previdência, do Ministério da Economia.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Sinsej