Terceiro em Joinville, ato ‘Fora Bolsonaro’ ocorre neste sábado

Quarta nacional e terceira em Joinville (uma foi cancelada por causa da chuva), manifestação ‘Fora Bolsonaro’ ocorre neste sábado (24) com expectativa de maior participação da população, já que os escândalos em torno do governo de Jair Bolsonaro se avolumam. A concentração será às 9h30, na Praça da Bandeira.

São mais de 400 cidades com atos confirmados pelo país. Na região norte de SC, além de Joinville, haverá protestos em Jaraguá do Sul (Praça Ângelo Piazera, às 9 horas) e São Francisco do Sul (em frente à Igreja Matriz, às 14h30). Florianópolis, Chapecó, Tubarão e Lages, entre outros municípios do território catarinense, também terão eventos contra o presidente.

Organizadas por movimentos sociais, sindicais e partidários, com adesão da população independente, as manifestações querem a saída do presidente do governo, sendo o caminho mais lógico o processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Porém, o presidente da casa parlamentar, Arthur Lira (PP-AL), único que pode dar início ao procedimento, não dá sinais de que vai fazê-lo, a despeito do que determina a Constituição Federal. Diante desse contexto, as manifestações também têm o objetivo de pressionar Lira, evidenciando a insatisfação popular com Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro sempre contou com a rejeição da esquerda, mas a atuação durante a pandemia fez com que mais gente aderisse à causa. De direita, o partido Novo declarou apoio ao impeachment. O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua, articuladores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, também trabalham pelo impeachment e farão outra manifestação em setembro.

As atitudes e discursos de Jair Bolsonaro nunca deixaram margem para dúvidas. Por ignorância ou má-fé, o presidente boicotou o enfrentamento à pandemia. Estimulou aglomerações, criticou a vacina, promoveu remédios comprovadamente ineficazes contra a doença, incentivou que as pessoas não se cuidassem e diminuiu a gravidade da covid-19. O resultado foi a morte de mais de 545 mil brasileiros pela doença até o momento.

Já havia motivos suficientes para os protestos populares, mas a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado Federal avançou nas investigações e está revelando fortes indícios de corrupção na atuação do governo. Contratos irregulares e pedido de propina foram denunciados, com fartas evidências. O presidente teria, no mínimo, prevaricado. Em outro âmbito, Jair Bolsonaro foi associado ao caso das “rachadinhas” — prática que envolve peculato, contratação de funcionários fantasmas e formação de quadrilha, entre outros crimes (UOL). A investigação envolve gabinetes de Jair Bolsonaro, que foi deputado federal por 28 anos, e dos filhos.

Com a perda de popularidade, Jair Bolsonaro se atrela cada vez mais ao centrão, grupo de parlamentares que rechaçou durante a campanha eleitoral, apesar de integrá-lo em sua longa passagem pelo Congresso. Na quinta-feira (22), o presidente anunciou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais representantes do centrão (BBC Brasil), será ministro-chefe da Casa Civil. A medida escancarou as relações com o bloco, que já integrava o governo. Diante da repercussão, Bolsonaro declarou: “Eu sou o centrão” (G1).

Segurança

O uso de máscaras é obrigatório nos protestos contra Bolsonaro e a organização pede que se mantenha o distanciamento social, evitando contato físico.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Cedida por Rodrigo Dacol