Único prefeito do Novo, Adriano prefere não opinar sobre impeachment de Bolsonaro apoiado pelo partido

Dividido entre apoiadores e críticos do governo, o partido Novo publicou na segunda-feira (2) uma nota em que declara apoio ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Omissão e péssimas ações na pandemia, prevaricação e interferência na Polícia Federal foram alguns dos motivos citados na justificativa. Perguntado se endossava a nota do partido, Adriano Silva, único prefeito da sigla no país, preferiu não opinar.

“Nosso foco é seguir trabalhando para que Joinville continue crescendo e se desenvolvendo. Julgamos precipitado emitir qualquer opinião relacionada ao impeachment do Presidente neste momento. Cabe ao Congresso Nacional, com base na materialidade dos fatos, conduzir a apuração e tomar uma decisão. Entendemos e respeitamos a autonomia dos poderes constituídos. A quem cabe conduzir este assunto, esperamos que o faça com a responsabilidade que merece”, registrou em nota assinada por ele e pela vice-prefeita Rejane Gambin.

A posição do prefeito — que já apresentou posições dúbias a respeito do presidente — pode ser entendida pela alta adesão dos joinvilenses ao bolsonarismo. No segundo turno da eleição de 2018, Bolsonaro conquistou 262.556 votos (83,18%) na cidade.

O apoio pode ter diminuído, mas o bolsonarismo ainda segue como uma força na cidade e no estado, considerado um reduto do presidente. O Palácio do Planalto, aliás, confirmou a visita de Bolsonaro a Joinville no dia 6 de agosto (O Município). No dia seguinte, participará de uma “motociata” em Florianópolis.

Não foi a primeira vez que Adriano Silva comentou a possibilidade de impeachment de Bolsonaro. Em dezembro, disse ao jornal Folha de S. Paulo que era contrário ao impeachment: “Não tenho essa visão”. Desta vez, preferiu não opinar.

No entanto, se o cálculo político coloca Adriano Silva em cima do muro, causa estranheza que o líder municipal evite se posicionar sobre um governo trágico, cujas ações resultaram na morte de mais de 500 mil brasileiros, incluindo 1.554 joinvilenses. São fartos os péssimos exemplos do presidente e indícios de corrupção apontados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal, por cientistas e por jornalistas diariamente. Não se posicionar, diante deste cenário, também é uma posição.

Parte do partido Novo, incluindo João Amoêdo, que foi candidato à presidência em 2018, tem feito duras críticas ao presidente há algum tempo, em especial pela conduta na pandemia. Outra parte, liderada por parte dos deputados federais, segue apoiando Bolsonaro. A direção do partido seguia em cima do muro, mas, segundo o presidente nacional da sigla, o catarinense Eduardo Ribeiro, as recentes suspeitas com relação à compra de vacinas pesaram na decisão (Folha de S. Paulo). “Não bastasse o descaso com a compra das vacinas, surge então a suspeita de um grande esquema de corrupção, o que é completamente inaceitável”, disse Ribeiro.

O partido não assinou um novo pedido de impeachment, mas registrou, na nota oficial, que endossa o pedido protocolado pelo movimento Vem Pra Rua, que em um documento de 922 páginas retrata mais de 35 tipificações penais em 130 crimes cometidos pelo presidente até o momento. Há mais de 126 pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro (Agência Pública) protocolados na Câmara dos Deputados, esperando o despacho do presidente Arthur Lira (PP-AL), conforme determina a Constituição Federal. Aliado de Bolsonaro, Lira se nega a dar início a qualquer processo.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Prefeitura