Rodrigo Coelho critica taxação de lucros e dividendos na reforma tributária

Quase todos os países do mundo cobram imposto sobre lucros e dividendos. Ou seja, cobram imposto sobre o que os empresários e acionistas ganham em seus negócios. O Brasil é um dos poucos que não cobra este imposto que é considerado progressista (quando é cobrado mais imposto dos mais ricos). E, se depender do deputado federal Rodrigo Coelho (ex-PSB e rumo ao Podemos), o país continuará assim.

O parlamentar joinvilense foi às redes sociais para criticar a inclusão da taxação no projeto de reforma tributária apresentado pelo governo.

“Eu sempre me manifestei favorável à Reforma Tributária. Mas, tem um ponto específico na segunda etapa enviada pelo Governo na semana passada que sou publicamente contrário: a proposta de taxar lucros e dividendos em 20%. Os motivos são vários e o principal é que seria um novo imposto e somos totalmente contra qualquer ideia que institua novos tributos aos brasileiros, que já têm uma das maiores cargas tributárias do mundo”, escreveu Coelho em sua conta no Twitter.

O  ministro da economia, Paulo Guedes, surpreendeu o país ao incluir o tipo de taxação no projeto, uma proposta tradicionalmente defendida por setores de esquerda. A medida gerou gritaria em diversos setores, incluindo um comentário do empresário catarinense Luciano Hang. “Se for para piorar, deixa como está”, disse o dono da rede de lojas Havan que é conhecido por ser aliado ao governo.

O ministro já afirmou que a taxação é moderada e que ocorre em mercados como Estados Unidos e Inglaterra. Para Guedes, não é considerada qualquer possibilidade de aumento da carga tributária total, mas de promover um reequilíbrio no sistema tributário, reduzindo o peso dos impostos sobre trabalhadores e empresas, mas com compensações em outras áreas. “Vamos tributar mais os dividendos e menos as empresas e assalariados”, apontou Guedes.

Segundo o governo, o objetivo da reforma é diminuir impostos, substituindo um conjunto de cobranças por um imposto único, chamado Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), e assim valorizar a indústria nacional.  “É uma meta nossa a reindustrialização do país. O Brasil é um mercado de massa, consumo de massa. Não nos conformamos com a desindustrialização acelerada que aconteceu”, afirmou o ministro.

Entre as principais mudanças propostas na reforma tributária estão a correção da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), que implicará a redução de impostos para 30 milhões de brasileiros e isenção para mais 5,6 milhões, totalizando 16,3 milhões de isentos.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Informações: Ministério da Economia | Poder 360