PDT de Joinville celebra nova fase e diz que vai trazer Ciro Gomes à cidade

Nos últimos anos, o PDT de Joinville esteve dividido entre duas forças. De um lado, o ex-vereador James Schroeder, que frequentou a câmara durante 12 anos (2008 a 2020). Do outro, o advogado e ex-vice-prefeito Rodrigo Bornholdt, que concorreu duas vezes à prefeitura. Não era uma disputa muito acirrada, mas dividia a sigla. Obliterado por uma força de esquerda maior nas últimas décadas e quase sempre nas bases dos governos, o partido ainda sofria com a falta de protagonismo em âmbito municipal, estadual e federal.

Hoje tudo está diferente. Bornholdt está em outro partido (é o presidente e responsável pela reconstrução local do PSB) e Schroeder deixou a câmara após tentativa de se eleger prefeito em 2020. O partido elegeu o jovem parlamentar Lucas Souza, que tem atuado na oposição ao governo do Novo e protagonizado a busca pela criação da região metropolitana. Nacionalmente, o partido ganha espaço com o ímpeto de Ciro Gomes para chegar à presidência da república. Com esta dinâmica, tem atraído novos adeptos e traçado novos objetivos.

No dia 19 de junho, o partido escolheu a nova direção municipal, em encontro presencial que reuniu novos e antigos militantes. O matemático e servidor público Charli Bardini foi eleito presidente. Segundo ele, a meta do partido é o desenvolvimento de Joinville a partir da periferia. “A gente não quer que Joinville tenha essa diferenciação entre o centro e os bairros”, comentou.

Na esteira do comentário e a pedido de uma avaliação sobre o governo, ele criticou o prefeito. “Vejo que Adriano Silva está com olhar somente para o centro e ao entorno do centro. Está faltando políticas públicas a quem mais necessita, lá na ponta. Para o jovem, para o adolescente, ao afro-descendente. Há uma falta de sensibilidade desse governo e uma falta de olhar mais humano. Está olhando números e esquecendo que estamos lidando com vidas”, disse o dirigente.

Quanto a eleição, o partido tem o objetivo de eleger um candidato à Alesc e outro à Câmara dos Deputados. Um dos nomes cotados é o do policial rodoviário, dirigente sindical e pastor Alexandre Gonçalves, que tem forte atuação nas redes sociais e é uma liderança entre evangélicos.

Outro nome natural para a disputa é o do ex-vereador James Schroeder, que tem atuado como secretário em Araquari. Outro nome relevante do partido é o professor Belini Meurer, que já ocupou o cargo de senador como suplente, em 2010. No entanto, tanto Schroeder quanto Meurer não foram bem na eleição de 2020, com votações baixas à prefeitura e à câmara, respectivamente.

Os joinvilenses do PDT vão trabalhar pela eleição de Ciro Gomes, segundo Bardini, e esperam ser um dos palanques do político cearense em solo catarinense. A visita foi esperada, mas não prosperou na eleição municipal de 2020, talvez por que a campanha de Schroeder não decolou.

“Já estamos em conversa. Traremos, sim, o Ciro Gomes a Joinville para palestrar. Esperamos que o joinvilense perceba que nós temos uma terceira opção, que não há somente Lula e Bolsonaro, e que percebam que Ciro é um grande líder e está preparado para tirar o Brasil dessa situação em que se encontra”, finalizou.

Liderança natural por causa do cargo que ocupa, o vereador Lucas Souza optou por não disputar uma cadeira na direção do partido. Para ele, “a convenção marcou a mudança, a renovação e o fortalecimento do partido”.


Texto: Felipe Silveira
Foto: PDT Joinville