‘Fora Bolsonaro’ de Joinville começa às 10 horas, na Praça da Bandeira

Neste sábado (29), em todo o Brasil, movimentos sociais, sindicatos, partidos, torcidas de futebol, artistas, feministas, lulistas, ciristas, independentes, comunistas, socialistas, liberais, ateus, religiosos, jovens, idosos, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, ambientalistas, indígenas, movimento negro e diversos outros vão às ruas para gritar “fora Bolsonaro”. Em Joinville, o ato terá início às 10 horas, na Praça da Bandeira.

São muitos os motivos para cobrar a saída do presidente brasileiro do governo, com destaque para a desastrosa gestão do enfrentamento à pandemia de coronavírus, que matou mais de 450 mil brasileiros. Jair Bolsonaro foi omisso na compra de vacinas, recomendou remédio ineficaz, promoveu aglomerações e deu péssimos exemplos acerca dos cuidados necessários para evitar a doença.

Mas não é o único motivo para a mobilização nacional. Desemprego, aumento dos preços dos alimentos e do gás de cozinha, desmonte dos serviços públicos e ataques a instituições também são alvos do protesto. Entre as reivindicações está o auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia, a testagem em massa da população e a vacinação de todas as pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Joinville, a atividade é organizada pelo Comitê Fora Bolsonaro, que reúne organizações de esquerda da cidade. Uma delas é o PCdoB, cujo presidente municipal, Rafael do Nascimento, explicou a motivação para o ato.

“Nós entendemos que o Brasil experimenta atualmente uma cruel singularidade: um presidente a um só tempo fascista e sociopata. Esse governo só oferece ao povo sua política de morte”, arguiu o comunista, que listou uma série de fatores para justificar sua posição.

Segundo ele, as crises sanitária, social e econômica atingem de forma severa a imensa maioria do provo brasileiro. “A fome é uma realidade para milhares de famílias, assim como a ausência de perspectivas em relação a geração de renda e emprego, sem qualquer iniciativa política por parte da gestão Bolsonaro para conter estas mazelas. Além disso, cresce o desemprego e a precarização da força de trabalho. Falar ‘Fora Bolsonaro’ é não é uma frase de efeito, tampouco um mote de mobilização. Trata-se de uma urgência, de algo real e mais do que nunca necessário ao nosso país, ao nosso presente e ao nosso futuro”, disse Rafael.

Integrante do Comitê Fora Bolsonaro e do Movimento Feminista da Diversidade, Anelise Wisbeck considera importante o ato na rua para que mais pessoas que estejam desacreditadas no governo Bolsonaro, possam nos ouvir e apoiar o movimento. “Nós sabemos que Joinville teve uma votação expressiva no Bolsonaro, mas com o desastre do seu governo, esse cenário está mudando também expressivamente. O ato foi construído por movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos e a todos que se opõem a esse governo, independente de sua posição política ou envolvimento político”, observou a organizadora.

Cuidados com o vírus

A organização convida a população joinvilense para participar do ato, mas ressalta que os cuidados acerca do coronavírus são obrigatórios. O principal deles é a utilização de máscaras, de preferência do modelo PFF2, mas o distanciamento também será cobrado. O grupo sugere o uso de máscara do modelo PFF2 e está se mobilizando para distribuir algumas unidades.

“Estamos indo para a rua com os cuidados necessários proferidos pelos especialistas, como distanciamento social, máscara (mais de uma, na falta de PFF2) e álcool gel. Sabemos que esse tempo de pandemia é perigoso para si e para o outro. Então o pedido é que quem vá, tome todos os cuidados, não seja de grupo de risco ou viva com alguém do grupo de risco, não esteja com sintomas e se sinta seguro de estar no ato”, recomendou Anelise. “E, quem não puder estar no ato, contribua nas redes sociais”, sugeriu.

Ainda cabe ressaltar que espaços ao ar livre são de menor risco de contágio, segundo especialistas. O maior risco de contágio ocorre em lugares fechados com baixa circulação de ar, como ônibus, danceterias, bares e restaurantes, com o agravante da ausência de máscaras em locais de alimentação.

Doações

Outro pedido da organização é que todos levem um quilo (ou mais) de alimento não perecível para doação. Os donativos arrecadados serão destinados às famílias em vulnerabilidade social mapeadas pela organização.

Manifestações em SC

Até o momento, Santa Catarina é o estado do sul com o maior número de manifestações confirmadas. Além de Joinville, pessoas vão protestar em Florianópolis, Balneário Camboriú, Blumenau, Brusque, Chapecó, Criciúma, Itajaí, Jaraguá do Sul e Rio do Sul. Além de movimentos partidários e sindicais, esta ampla mobilização conta com a participação dos estudantes catarinenses.

Integrante do movimento Juventude Manifesta, Caroline Champowski falou sobre a participação dos jovens. “Nas últimas semanas foi se construindo um clima para a volta às ruas. A CPI, que escancarou a política genocida do governo Bolsonaro, a tragédia da chacina em Jacarézinho e cortes bilionários na educação exigem respostas. A juventude neste contexto cumpre um papel fundamental, que é de mobilizar e construir atos massivos, como os tsunamis da educação em 2019. É importante que se construa essa agenda de luta unificada junto às frentes populares, num movimento que não pare no dia 29”, comentou.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Cedida por Kevin Eduardo