Sargento Lima propõe e Alesc aprova moção de agradecimento a Pazuello

Os deputados de Santa Catarina aprovaram, na sessão de quarta-feira (12), a Moção 178/2021, que cumprimenta o ex-ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, “pelos serviços prestados ao povo brasileiro durante sua participação na pasta”. A proposta foi feita pelo deputado joinvilense Sargento Lima (PL). Luciane Carminatti e Neodi Saretta, ambos do PT, criticaram a proposta.

“Tenho profundo respeito pelo deputado Sargento Lima, mas fico estarrecida em homenagear um ministro que saiu do cargo pela tragédia na condução da pandemia”, afirmou Luciane, que citou as de Pazuello na condução do ministério, como a crise de oxigênio em Manaus (AM) e a rejeição às propostas de vacinas da empresa Pfizer.

Para Saretta, que é presidente da Comissão de Saúde da Alesc, não era o momento de prestar homenagens ao ex-ministro. “Os familiares das vítimas da covid não estão pensando em homenagem. Seria prudente que essa moção fosse retirada”, comentou.

Bolsonaristas como o joinvilense, Ana Campagnolo (PSL) e Jessé Lopes (PSL) defenderam a moção, criticando o PT e defendendo o ex-ministro. Para o autor da moção, a proposição é um reconhecimento “ao homem que deu início ao processo que coloca o Brasil na quarta posição do mundo [na vacinação contra a covid]”.

O argumento não tem pé nem cabeça, já que o Brasil está no 58º lugar no ranking global da aplicação de doses. A lista considera o número de doses a cada 100 habitantes, a única forma que faz sentido, considerando que os países têm populações diferentes. Até a última quarta-feira (5), o país ocupava a 56º posição. O Reino Unido lidera do ranking, seguido pelos Estados Unidos.

Durante a gestão de Eduardo Pazuello, entre maio de 2020 e março de 2021, mais de 200 mil brasileiros e brasileiras foram vitimados pela covid-19. O militar da ativa foi nomeado para a função após a demissão de dois sucessores que se recusaram a seguir ordens estapafúrdias do presidente Jair Bolsonaro. Ao assumir o cargo, Pazuello disse que “um manda e outro obedece”, em alusão ao comportamento que teria no cargo em relação ao presidente. Foi em sua gestão que o governo apostou, incentivou e foi permissivo quanto ao uso de remédios ineficazes contra a doença, como a cloroquina.

Na quinta-feira (13), a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um pedido de Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-ministro possa se eximir de responder perguntas dos senadores durante seu depoimento na CPI da Covid e não “produza provas contra si”. A comissão, que analisa a conduta do governo federal na resposta à pandemia, deve ouvir Pazuello no dia 19 de maio. O pedido será analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski.

A moção cumprimentando Pazuello foi aprovada com 11 votos. Quatro parlamentares votaram contra a moção — Bruno Souza (Novo), Luciane Carminatti (PT), Neodi Saretta (PT) e Marcos Vieira (PSDB) — e seis se abstiveram. Diversos parlamentares não votaram e a sessão quase foi suspensa por falta de quórum. Apenas 21 deputados participaram da votação.

Veja como foi a votação

SIM

Ana Campagnolo (PSL)
Coronel Mocellin (PSL)
Felipe Estevão (PSL)
Jesse Lopes (PSL)
João Amin (PP)
José Milton Scheffer (PP)
Kennedy Nunes (PSD)
Marlene Fengler (PSD)
Nilso Berlanda (PL)
Sargento Lima (PL)
Silvio Dreveck (PP)

NÃO

Bruno Souza (Novo)
Luciane Carminatti (PT)
Neodi Saretta (PT)
Marcos Vieira (PSDB)

ABSTENÇÕES

Dirce Heiderscheidt (MDB)
Fernando Krelling (MDB)
Moacir Sopelsa (MDB)
Marcius Machado (PL)
Rodrigo Minotto (PDT)
Valdir Cobalchini (MDB)

AUSÊNCIAS

Ada De Luca (MDB)
Doutor Vicente Caropreso (PSDB)
Fabiano da Luz (PT)
Ismael dos Santos (PSD)
Ivan Naatz (PL)
Jair Miotto (PSC)
Jean Kuhlmann (PSD)
Jerry Comper (MDB)
Laércio Schuster (PSB)
Mauricio Eskudlark (PL)
Mauro de Nadal (MDB)
Milton Hobus (PSD)
Nazareno Martins (PSB)
Padre Pedro Baldissera (PT)
Paulinha (PDT)
Ricardo Alba (PSL)
Romildo Titon (MDB)
Sergio Motta (Republicanos)
Volnei Weber (MDB)

Veja a sessão


Texto: Felipe Silveira
Foto: Daniel Conzi/Alesc
Informações: Alesc | CNN | UOL | DW