A política em Joinville: Abril teve metade dos casos de covid-19, mas foi trágico como março

Por Felipe Silveira
Foto: Prefeitura

Se março foi o mês mais trágico da pandemia, com 15.916 casos e 288 mortes, abril foi igualmente trágico em termos de óbitos, mas com metade dos casos. Foram 8.105 casos e 287 mortes. E, apesar de ter uma morte a menos, a média de óbitos em abril foi maior do que a média do mês anterior.

A média foi maior porque abril tem um dia a menos do que março. Na média diária, foram 9,5 óbitos no quarto mês do ano. Em março, 9,2. Claro que esse alto número de mortes em abril tem a ver com o contágio altíssimo e descontrolado de março – um mês de sistema colapsado, o que gerou erros e atendimentos precários.

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E se abril lidou com as consequências de março, a tendência é que aconteça a mesma coisa em maio. Deve haver, portanto, redução de mortes neste mês, como já se pode observar nos registros finais de abril. Nos dez dias finais do mês foram registrados 68 óbitos. No restante de abril, 219. Já a média de novos casos foi estável ao longo do mês. Nos primeiros dez dias do mês, Joinville registrou 2.857 casos. Do dia 11 ao 20 foram anotados 2.645 novos casos. Já nos últimos dez dias, 2.603 pessoas foram diagnosticadas com a covid-19 na cidade.

A considerável queda entre março e abril nos distrai de um fato importante: os números seguem altíssimos. Tivemos 270 pessoas contaminadas por dia com uma doença que provoca graves sequelas e mata mais de 1% dos infectados, independente da idade e da condição física.

Uma doença, diga-se, altamente evitável com uso de máscaras e distanciamento social. Porém, o que tivemos em abril foi o relaxamento de todas as medidas restritivas. O lockdown, que poderia salvar muitas vidas, saiu de pauta. E o aparente (mas falso) controle faz com que a sociedade relaxe de modo geral.

Vejamos dois exemplos. O município acaba de autorizar, por meio do Decreto 42.336, a realização de eventos sociais como casamentos e aniversários, até as 23 horas. Com esta medida, boates, pubs e casas noturnas podem abrir utilizando apenas o espaço do salão para a realização deste tipo de confraternização.

Também foi liberada recentemente, pelo governo do estado, a realização de esportes coletivos em SC, condicionados à situação da matriz de risco estadual. Mas, obviamente, é uma restrição muito frágil, com protocolos igualmente frágeis, só para dizer que tem alguma restrição. Na prática, caminho livre para o vírus.

É claro que os setores econômicos que dependem desses eventos para a subsistência precisam ser assistidos, e isso é obrigação do poder público, mas não pode ser por meio de um “libera geral” disfarçado.

Diante desse cenário, mesmo que observemos uma redução no número de mortes nas próximas semanas, é importante ficar de olho no aumento dos casos e não esquecer que os números ainda são muito altos. E, mesmo que não fossem, cada pessoa contaminada com essa doença já representa uma tragédia.

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A prefeitura de Joinville colocou no ar uma boa peça publicitária de prevenção à dengue. Uma senhora fala de um jeito muito sério sobre a gravidade da doença, citando o marido que sofreu com febre, dor de cabeça e outros sintomas, em um texto que não dá para saber se o personagem morreu ou sobreviveu. Mas por que algo similar não foi feito sobre a covid-19, muito mais letal, muito mais grave?

Esta coluna cobrou diversas vezes a realização de campanhas mais assertivas sobre a doença pandêmica, aos moldes de tantas realizadas Brasil e mundo afora, falando sobre as perdas irreparáveis das famílias ou mesmo das graves consequências da doença em cada paciente. Mas, aparentemente, a decisão de tratar a covid-19 como algo menor é política.

Captura de tela do Instagram de Adriano Silva

Exemplos

Outro tema mencionado diversas vezes na coluna é relativo aos exemplos ruins de Adriano Silva nas redes sociais. Reuniões em locais fechados, máscaras ruins, falta de distanciamento etc. Na segunda-feira (3), mais um deslize. Ao receber a governadora interina Daniela Reinehr, um não recomendado aperto de mão. E, se não bastasse ser um deslize, coisa que praticamente todos cometemos, ainda registrou a cena em uma publicação na rede social Instagram.

Homenagem

Ficou bonita a homenagem do Comitê Fora Bolsonaro às vítimas da covid-19. Na noite de sábado (1), o grupo formado por movimentos populares, partidos e sindicatos espalhou cruzes pretas e velas no gramado da prefeitura.

A ação fez parte das atividades do Dia dos Trabalhadores, uma data que tradicionalmente é celebrada por movimentos de esquerda e sindicatos. Empresas também costumam fazer festas para os funcionários no feriado. Outras realizam grandes festas abertas ao público.

Berreiro

Curiosamente, o bolsonarismo escolheu o 1º de Maio para promover mais uma manifestação país afora. Joinville também teve, é claro. Por aqui o movimento em torno do presidente é forte, embora as manifestações estejam cada vez menores. Para o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista de política da Folha de S. Paulo, “a demonstração de força dos bolsonaristas fracassou, mas o que interessa é que precisaram tentá-la. Eles sabem que Bolsonaro está perdendo.”

Raulino na SDE

José Raulino Esbiteskoski é, desde a semana passada, o secretário-adjunto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE). A nomeação foi feita por Daniela Reinehr, governadora interina que pode se consolidar no cargo, com o impeachment de Carlos Moisés, ou perder a cadeira (e o comando) com a possível do governador afastado que será julgado nesta sexta-feira (7).

Mas mesmo que Moisés volte e desfaça nomeações de Daniela, é possível que Raulino permaneça no cargo, já que o governo estava à procura de um nome de Joinville para a pasta. Pelo menos foi o ex-secretário Luciano Buligon, em visita a Joinville assim que assumiu o cargo. A declaração foi feita na CDL, entidade a qual Raulino é ligado.

Agora, se depender do histórico no desenvolvimento da cultura de Joinville, o desenvolvimento econômico sustentável de Santa Catarina está lascado. O empresário lojista é apontado por agentes culturais como um dos principais responsáveis pela inação da área durante o segundo mandato de Udo Döhler. Raulino assumiu a Secult em 2017 e, em entrevista ao jornal A Notícia, revelou não ser íntimo do setor.

Defesa Civil na Escola

Até sexta-feira (7), professores podem se inscrever para participar de uma capacitação Defesa Civil na Escola, um projeto promovido pelo governo de Santa Catarina. Neste primeiro momento, os profissionais receberão uma capacitação que é totalmente online e gratuita, com duração de 80 horas e certificação pelo Ministério da Educação e Instituto Federal Catarinense. O início das aulas está previsto para o dia 24 de maio. O objetivo é inserir no currículo escolar a temática Proteção e Defesa Civil.

Emprego

Mais de 1% dos empregos formais gerados no país no primeiro trimestre foram criados em Joinville. O melhor mês foi o de março, quando foram gerados 3.623 vagas ocupadas. Não se sabe o motivo, mas no material de divulgação enviado na semana passada, a prefeitura celebrava apenas os resultados de janeiro e fevereiro, ignorando março.

Pavimentação

Adriano Silva viu que as obras de asfaltamento enchem os olhos de boa parte dos joinvilenses. A prefeitura está com obras de pavimentação em 26 ruas da cidade, totalizando mais de 27 quilômetros de asfalto e quase 600 metros de paver. O governo tem divulgado a execução das ações, que são resultado de projetos viabilizados em governos anteriores.

Uma das pavimentações mais aguardadas da cidade terminou nesta semana. A Via Gastronômica voltou a ficar transitável. Agora só falta concluir a obra de macro-drenagem que esburacou a via no último ano.

Pontes

Daniela prometeu R$ 9 milhões para a construção de uma ponte no final da rua Plácido Olímpio de Oliveira, ligando-a à rua Aubé. Resta saber se a promessa será cumprida pelo governo em uma eventual volta de Moisés.

O prefeito Adriano Silva também apresentou o projeto de uma ponte na rua Anêmonas, no bairro Guanabara. A ideia é fazer um binário com a rua Guanabara e desafogar o complicadíssimo trânsito na região. A tendência é que melhore com a conclusão da Ponte Joinville, no bairro Adhemar Garcia, mas a construção do ambicioso projeto ainda não começou.

Revoltados, pero no mucho

O deputado federal Darci de Matos (PSD) classificou como absurda a redução no orçamento para a duplicação da BR-280. Com a retirada das emendas não impositiva das bancadas estaduais, o orçamento 2021 para duplicação da BR-280 teve uma redução de aproximadamente R$ 44 milhões, restando R$ 60.768.000,00. “Valor é insuficiente para acabar com o ritmo lento da obra”, disse.

Quem também não gostou foi o colega da parlamento Rodrigo Coelho (que vai ingressar no Podemos). “É um desrespeito com nosso estado e a bancada catarinense está unida para reverter esse corte”, disse o joinvilense em uma publicação nas redes sociais.

Apesar da revolta, nenhum dos dois bolsonaristas falou um A contra o presidente Jair Bolsonaro, que no fim é o responsável pelo corte.


A política em Joinville é a coluna de opinião e informação do jornal O Mirante, sob responsabilidade do editor Felipe Silveira.