Justiça concede mandato e Rodrigo Coelho pode sair do PSB

Fazia tempo que o deputado federal Rodrigo Coelho queria sair do PSB, assim como o PSB queria vê-lo fora de suas fileiras. Só que nenhum deles queria perder o mandato e a causa foi parar na Justiça, que decidiu a favor do joinvilense. Agora, o parlamentar pode procurar uma sigla com a qual tenha mais afinidade ideológica, já que o PSB é um partido mais à esquerda e Coelho um político mais à direita.

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A decisão foi tomada em julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (13). Quatro ministros — Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques — votaram a favor de Coelho e três votaram contra — Edson Fachin, Sérgio Banhos e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Na mesma sessão foi concedido o mandato ao deputado capixaba Felipe Rigoni, também do PSB.

Nas ações, os dois parlamentares sustentaram, entre outros pontos, que a existência de desvios reiterados do programa partidário e a grave discriminação política pessoal sofrida desde que votaram a favor da reforma da previdência, em 2019, caracterizariam a devida justa causa para se desligarem da agremiação. A punição determinada pela legenda aos deputados foi a suspensão de atividades partidárias e parlamentares, incluindo a proibição de encaminhar projetos em nome do partido, bem como a perda do direito a voto na bancada e dos cargos que exerciam em comissões.

Rodrigo Coelho sempre esteve mais à direita, apesar de ter história em dois partidos de centro-esquerda. Foi eleito vice-prefeito de Joinville em 2012 pelo PDT (em chapa com o MDB de Udo Döhler, ainda PMDB à época. Foi expulso da sigla em 2014, acusado de infidelidade partidária. Em 2016, quando foi eleito vereador, já estava no PSB.

A trajetória de Coelho no Partido Socialista Brasileiro tem a ver com uma história bem maior do que a mera afinidade com uma sigla. O PSB é um partido com história de esquerda, mas que estava, no início da década passada, sob comando do pernambucano Eduardo Campos, que tinha o objetivo de chegar à presidência. Um dos passos do projeto de Campos foi filiar Paulinho Bornhausen em Santa Catarina, que trabalharia no desenvolvimento da sigla no estado. Rodrigo Coelho entrou nesta levada.

Com a morte precoce de Eduardo Campos em plena campanha presidencial de 2014, o partido perdeu o rumo, mas voltou a se encontrar mais à esquerda nos últimos anos. Por isso, em 2019, definiu que seus parlamentares deveriam votar contra a reforma da previdência. A ordem foi ignorada por Coelho, que foi suspenso de diversas funções parlamentares, fato que culminou na decisão judicial de terça-feira.

Rodrigo Coelho era um dos favoritos à Prefeitura de Joinville em 2018, mas a situação partidária o impediu de concorrer. Ele apoiou Darci de Matos (PSD) e o PSB, sob ordem da direção nacional, apoiou Fernando Krelling (MDB), tido como o principal adversário de Darci à época. Adriano Silva (Novo) venceu a eleição.