Comitê Popular entra na Justiça contra “tratamento precoce” em Joinville

Na quarta-feira (7), membros do Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus ingressaram com uma ação popular na Justiça para barrar a oferta e a distribuição de remédios ligados ao “kit covid”, algo que ficou conhecido como “tratamento precoce” e agora está sendo chamado de “tratamento imediato”. A Prefeitura de Joinville mantém, na Associação Atlética Tupy, um centro destinado a este tipo de atendimento.

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No documento, o grupo formado por movimentos populares pede tutela de urgência. A ação visa que a Justiça obrigue o prefeito Adriano Silva a interromper a aquisição, utilização e distribuição de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 na rede pública de saúde de Joinville.

A mesma ação ainda solicita que a Justiça proíba o prefeito Adriano Silva e o secretário Jean Rodrigues da Silva de divulgarem ou incentivarem, por meio de comunicação oficial ou extraoficial, a utilização de medicações comprovadamente ineficazes contra a covid-19, como a Hidroxicloroquina e a Ivermectina.

Há evidências científicas contundentes amplamente divulgadas de que estes medicamentos, além de serem incapazes de conter a gravidade da covid-19, ainda agravam ou causam comorbidades com potencial risco à vida das pessoas. O próprio coordenador do Combate ao Coronavírus de Joinville, o infectologista Luiz Henrique Melo, afirmou que “não existe tratamento precoce” à reportagem do jornal O Município.

Na mesma matéria, a coordenadora do centro, a médica Luana Ferrabone, explicou que faltam evidências científicas, mas é difícil explicar isso ao paciente que tomou e melhorou. A explicação, no entanto, é muito simples. O médico Reynaldo Oliveira traz a explicação mais simples no vídeo abaixo:

Cardiologista e professor da USP, Bruno Caramelli tem liderado um movimento que pede a abertura de inquérito civil para apurar a atuação do Conselho Federal de Medicina durante o período em que o Ministério da Saúde incentivou o “tratamento precoce” contra a covid-19. Em entrevista ao podcast O Assunto (G1), ele explica que está provado que esses remédios do “kit covid” não funcionam e porque isto é nocivo para a saúde pública. Entre os problemas mais relatados está a hepatite medicamentosa.

Em declarações públicas, tanto o prefeito quanto o secretário de saúde de Joinville já disseram que a manutenção do centro de tratamento precoce/imediato se deve à politização da questão. Trocando em miúdos, eles estão dizendo que a sociedade está dividida quanto ao tema e, para atender a demanda pelo “kit covid”, mantém o centro. O problema é que a sociedade está dividida entre o que diz a ciência (que os remédios não funcionam) e o incentivo irresponsável do presidente Jair Bolsonaro, que tem forte eco na sociedade joinvilense.

Os integrantes do Comitê Popular Solidário contra o Coronavírus esperam que a Justiça impeça o “tratamento precoce” ou “tratamento imediato”, algo que está levando os médicos que o prescrevem e o prefeito Adriano Silva a serem ridicularizados pela comunidade científica.

O ineficaz tratamento precoce também é cobrado e incentivado na Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), especialmente pelos vereadores Wilian Tonezi (Patriota) e Brandel Junior (Podemos).


Edição: Felipe Silveira
Foto: Carolina Antunes/Presidência da República
Informações: Comitê Popular