Deputados cobram que estado compre vacinas após autorização do STF

Em audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (24), deputados cobraram a compra de vacinas pelo governo de Santa Catarina. A compra dos insumos por estados e municípios foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (23), mas somente em caso de descumprimento do Plano Nacional de Imunização (PNI) pelo governo federal.

Com o secretário André Motta Ribeiro em Brasília, coube ao adjunto, Alexandre Lencina Fagundes, apresentar o que o estado tem feito para frear o avanço da doença. Cobrado pelos deputados Neodi Saretta (PT), Valdir Cobalchini (MDB) e Vicente Caropreso (PSDB), Fagundes disse considerar muito importante não ficar apenas dependente do governo federal.

No encontro, o superintendente de Vigilância em Saúde do estado, Eduardo Macário, revelou que a secretaria vai pedir ao governador que faça contato com a Pfizer para comprar vacinas da empresa caso o imunizante da empresa não seja incluído no PNI.

“Há entendimento técnico de que a responsabilidade do PNI é do governo federal, mas temos que ter planos B, C e D para garantir a imunização. Espero que o governo cumpra seu papel, mas o governador Carlos Moisés anunciou R$ 300 milhões para compra de vacinas”, afirmou Fagundes.

Para a deputada Ada de Luca (MDB), é necessário formar uma espécie de consórcio entre os três estados da região sul para facilitar a compra de vacinas e ter maior poder de barganha, conseguindo melhores preços, atitude já tomada pelos estados nordestinos. “O Nordeste fez e funcionou. Tem que copiar. Tem que fazer qualquer coisa, pois se esperar só do governo…”, avaliou Ada de Luca.

Medidas restritivas

Os presentes ao encontro concordaram que a vacinação é condição essencial para a vitória sobre a pandemia, mas destacaram que para atuar no curto prazo e diminuir os números crescentes de contaminação, as medidas restritivas de circulação são as mais defendidas.

“Há necessidade de medidas que diminuam a velocidade de transmissão. A vacina é importante, mas não é mágica, não vai chegar amanhã”, afirmou Ronald dos Santos, integrante do Conselho Estadual da Saúde.

“Vacina não vai resolver em duas semanas, portanto, tem que tomar outras medidas”, ressaltou o superintendente de Regulação da SES, Ramon Tartari, que apresentou um quadro preocupante do estado. “Santa Catarina está vivendo o pior cenário desde o início. A ocupação é de 95,4%, mas, na prática, é de 100%, porque da porta para fora, temos vários pacientes com indicação de terapia intensiva”, alertou.

Para ele, a ampliação do número de leitos de terapia intensiva é importante, mas não pode ser a única frente de trabalho. “Não vamos conseguir superar esse momento trabalhando apenas nessa lógica. Tenho 783 leitos de UTI covid, todos novos e todos ocupados. Problema não está só no numérico de leitos. Cama física e colchão não salvam pacientes. O que salva são médicos, oxigênio, medicamentos. Se houver crise de oxigênio, de medicamento, não adianta ter leito.”


Edição: Felipe Silveira
Foto: Prefeitura
Informações: Alesc