Comitê popular cobra medidas de controle da pandemia em Joinville

Em audiência virtual realizada na quarta-feira (20), o Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus cobrou do secretário da Saúde, Jean Rodrigues da Silva, ações mais rígidas de controle da pandemia de coronavírus em Joinville, com testagem da população e uma ampla campanha de vacinação. Representantes de sindicatos, movimentos sociais, organizações populares e coletivos políticos de Joinville participaram da audiência virtual.

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“A pandemia subiu o tom. Os efeitos da pandemia estão chegando nos limites insuportáveis, seja na questão da saúde propriamente dita, seja na questão social. Por isso, é preciso subir o tom para lidar com ela. Não adianta o poder público, de qualquer esfera, dizer que está no controle, porque estamos vendo que não está. Estamos na iminência de uma verdadeira tragédia social”, declarou Almir Ramalho, membro do comitê. “É preciso endurecer fortemente as regras em Joinville”, defendeu.

Na gestão da pandemia desde o início, o secretário Jean Rodrigues relembrou algumas ações implementadas, disse que fez mais de 10 mil fiscalizações no ano passado e argumentou que, diferentemente de países da Europa, o Brasil não tem estrutura econômica para implementar o lockdown como ferramenta de controle da pandemia. As restrições implementadas foram feitas pontualmente em cima da realidade local, afirmou o secretário, que disse ainda que vai manter a mesma postura de 2020.

“Qual vai ser a nossa postura esse ano? Ela não vai mudar em nada em relação à condução que foi ano passado. Se precisar fazer alguma ação restritiva em algum segmento específico ou em algum local que está sendo descontrolada a pandemia, nós vamos atuar. Nós não vamos nos abster dessa situação. Independente da questão de lobby”, observou o secretário.

Questionado sobre o número de mortes causadas pela covid-19 em Joinville, o secretário defendeu seu trabalho e afirmou que nunca foi negligente. “Que bom que eu pudesse ter o poder de Deus de evitar as mortes. A gente ainda não tem”, respondeu. “Se tivesse receita de bolo para pandemia, tinha governo rico. Porque ela tem que ser modulada à sua sociedade, à sua cultura local. Uma medida que dá certo num local não dá no outro. A gente precisa entender isso”, completou.

Reivindicações

O secretário Jean Rodrigues assegurou que indígenas e quilombolas serão atendidos na primeira fase da vacinação contra a covid-19 em Joinville. Não garantiu, no entanto, que a população em situação de rua seja incluída na fase inicial, sob a justificativa de que Joinville conta com poucas doses da vacina neste momento.

O comitê reivindicou o adiamento do retorno às aulas presenciais, previsto para 8 de fevereiro, uma vez que os professores só serão vacinados no final do ano. O secretário não indicou que exista essa possibilidade, mas se comprometeu a levar a reivindicação adiante. “A questão de adiar as aulas até que todos sejam imunizados, eu vou ser sincero: isso não existe a nível de planejamento nacional. A nível de planejamento municipal, tem. Se o governo federal liberasse a compra dos imunizantes, nós estamos preparados para comprar e imunizar nossa população”, garantiu.

Durante a audiência, membros do comitê alertaram para a importância de uma divulgação transparente e adequada sobre os casos recuperados. Como é divulgado atualmente, “dá uma falsa impressão de que todo mundo sai do hospital pronto pra próxima. Precisa fazer um tratamento nessa informação”, defendeu a jornalista Iraci Seefeldt, integrante do comitê. O secretário afirmou que haverá uma alteração na divulgação dos casos recuperados, com o objetivo de elucidar os dados.

O Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus também solicitou acesso ao inquérito epidemiológico da cidade, acompanhamento dos pacientes com sequelas da covid-19 e uma ampla campanha de vacinação, além de apresentar propostas para o secretário no enfrentamento ao adoecimento mental na pandemia.

Jean afirmou que divulgará o inquérito epidemiológico e informou que o Ambulatório Pós Covid-19, voltado ao acompanhamento de casos crônicos, deverá funcionar a partir de fevereiro. Também se comprometeu a atuar junto à Secretaria de Comunicação para garantir uma campanha de vacinação que envolva os diferentes segmentos da sociedade e prometeu que vai realizar parcerias para o combate ao adoecimento mental durante a pandemia. “Vamos abrir um edital de credenciamento para que esses projetos venham fazer parte da nossa rede”, disse Jean.

Transporte coletivo

O secretário afirmou que o maior problema de aglomeração em Joinville hoje se dá nos supermercados e “não nos bares, pubs e casas noturnas”. Questionado sobre as aglomerações no transporte coletivo, que tendem a aumentar com o retorno das aulas presenciais, Jean Rodrigues informou que o poder público tem feito o que pode, apesar da judicialização no transporte coletivo, e que “nos próximos dias vocês vão ver publicamente os movimentos da prefeitura em relação à questão das empresas de ônibus”.

Novas medidas anunciadas

O secretário informou ainda que haverá uma mudança no controle dos casos ativos de pacientes com covid-19 em Joinville, por meio de aplicativo, e que dará maior agilidade nos testes. “Nós estamos alterando a sistemática dos exames para ter resultado em 20 minutos e não fazer mais as pessoas esperarem 10, 14 dias pelo resultado”, informou.

“Nós vamos reativar os atendimentos de saúde, a Educação vai voltar e nós vamos fazer um monitoramento em tempo real da questão dos casos positivos, afastar as pessoas, controlar e dar auxílio aos familiares”, assegurou. “Estamos atentos aos movimentos, às aglomerações, ao que pode gerar um descontrole da pandemia”, garantiu Jean. “Não tem nenhuma ordem de ‘libera tudo e deixa as coisas rodarem de qualquer jeito’. Nós temos responsabilidade com a vida das pessoas e com a sociedade de Joinville”, complementou.

O comitê encaminhará ao secretário um documento reafirmando suas reivindicações e realizará outras reuniões com o poder público. Uma reunião com a Secretaria de Assistência Social de Joinville está marcada para segunda-feira (25).


Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Comitê Solidário