Fiesc quer R$ 20 bilhões de investimentos na infraestrutura de SC

Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), são necessários R$ 19,9 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos para garantir competitividade padrão mundial à economia catarinense. A informação consta no documento Agenda Estratégica para Infraestrutura e a Logística Catarinense 2021, lançado nesta segunda-feira (7). A necessidade de investimento anual, segundo a entidade patronal, é estimada em R$ 4,97 bilhões.

“A agenda é o documento em que nós elencamos todas as demandas com respectivos investimentos para melhoria da infraestrutura de Santa Catarina”, afirmou o presidente da Fiesc, o joinvilense Mario Cezar de Aguiar. “As deficiências da infraestrutura têm sido um problema recorrente e têm tirado a competitividade da nossa produção, por isso, precisamos rapidamente melhorá-la para que nossa cadeia produtiva possa se desenvolver cada vez mais”, completou.

Do total estimado, R$ 15,7 bilhões (R$ 3,92 bi/ano) devem ser dedicados ao modal rodoviário. O setor aquaviário demanda R$ 1,54 bilhão (R$ 385,2 mi/ano); o aeroviário requer investimentos de R$ 1,3 bi no quadriênio 2021-2024 e o ferroviário, R$ 981,7 milhões no mesmo período.

A novidade da agenda deste ano foi a inclusão do segmento dutoviário, cuja estimativa de investimentos em quatro anos é de R$ 400 milhões. “A indústria de Santa Catarina tem hoje um consumo de 2,1 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, embora tenha uma limitação de fornecimento de 2 milhões de metros cúbicos”, explicou o presidente da Fiesc.

“Há uma expectativa para que se assine brevemente a autorização para a construção de uma usina de regaseificação na Baía da Babitonga. É uma matriz energética importante e temos que fortalecer o fornecimento desse tipo de insumo”, acrescentou.

Necessidade de investimentos projetada pela Fiesc

No plano das esferas de investimentos, o setor privado tem a maior fatia, de R$ 8,6 bilhões no quadriênio ou R$ 2,15/ano. Ao governo federal cabem R$ 5,9 bilhões (R$ 1,47 bi/ano), à esfera estadual, R$ 5,2 bi (R$ 1,3 bi/ano). Os governos municipais devem investir R$ 200 milhões, ou R$ 50 milhões por ano.

A agenda estratégica, que é atualizada a cada ano, considera as necessidades de investimentos a partir das demandas focadas no transporte de pessoas e cargas, de acordo com as demandas econômicas, que incluem o turismo. “Um exemplo é o planejamento da BR-101 do futuro, que demanda diversas obras, inclusive outros contornos viários, além daquele em obras na Grande Florianópolis”, explicou Egídio Antônio Martorano, secretário da Câmara de Transporte e Logística da Fiesc e que coordenou a elaboração do estudo.

Em sua elaboração, o estudo passou por críticas e atualizações de órgãos parceiros da Fiesc, como a seção catarinense do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O trabalho apresenta diversas sugestões de investimentos estratégicos. Um deles é a modernização da SC-108, uma rodovia estadual de 472 km, de traçado norte a sul de Santa Catarina, paralela à BR-101 e que conecta os três estados da região sul do país. Outro exemplo é a SC-283, também estadual e que tem 237 quilômetros entre Concórdia e Itapiranga (passando por Seara, Chapecó, entre outras), no oeste do estado, paralela à BR-282. Um terceiro caso é a concessão integrada do intitulado Eixo Rodoviário Estratégico de Santa Catarina, que envolve as BR 163, 282 e 470 e passaria a incorporar a SC-110 ou a SC-108.

“A Fiesc defende a definição dos Corredores Logísticos Estratégicos, com planejamento sistêmico e integrado dos diversos projetos previstos conjuntamente e com uma única gestão”, explicou Martorano. Desta forma, os projetos podem unificar diferentes modais ou conjuntos de rodovias, independentemente de serem ligadas à esfera estadual, federal ou mesmo municipal.

Cabotagem

A apresentação da agenda também contou com a abordagem de propostas para o transporte via cabotagem — transporte marítimo dentro do território nacional. Dino Antunes Dias Batista, diretor do Departamento de Navegação e Hidrovias, da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, apresentou medidas que vêm sendo adotadas para fortalecer a cabotagem no Brasil. “A cabotagem é uma BR marítima”, disse, ao explicar o conjunto de medidas que integram projeto de lei proposto pelo governo.

“Trata-se de um rol de propostas que facilitam o fretamento de embarcações, permitindo que novas empresas comecem a operar no mercado de cabotagem, mesmo sem ter embarcações próprias. O objetivo é baratear a logística nacional, tornando a economia mais competitiva”, destacou.

“É um modal que vem crescendo no país, mais sustentável, mais seguro e com menor impacto sobre a mercadoria. E se tiver incentivo do governo poderá avançar ainda mais”, afirmou Mario Cezar de Aguiar. “O caminhão é imbatível, chega até a porta da indústria, mas precisamos contemplar outras alternativas de transporte para outras distâncias. Temos que aproveitar e conhecer as potencialidades desse modal de transporte”, ressaltou o presidente da Fiesc.

Portos

A apresentação também dedicou espaço para o debate da agenda dos portos, com a participação de Marcelo Werner Salles, superintendente do Porto de Itajaí; Osmari de Castilho Ribas, diretor superintendente da Portonave, e Cássio José Schreiner, presidente do Porto de Itapoá. Eles apresentaram os projetos e demandas dos portos que dirigem e a situação da ampliação da Bacia de Evolução do Rio Itajaí e dos acessos da Baía Babitonga.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Filipe Scotti/Fiesc
Informações: Fiesc