Na Alesc, joinvilenses criticam cobranças por medidas rígidas em estado que sucumbe

No dia em que a Secretaria de Estado da Saúde (SC) classificou 13 regiões (de 16) como de risco máximo da pandemia de coronavírus, os deputados joinvilenses Kennedy Nunes (PSD) e Sargento Lima (PSL) criticaram as cobranças por medidas mais rígidas no enfrentamento à doença. A discussão ocorreu na sessão da Alesc na quarta-feira (25).

Antes de Kennedy e Lima se pronunciarem, os parlamentares Vicente Caropreso (PSDB), Luciane Carminatti (PT) e Ada de Luca (MDB) criticaram a falta de autoridade do governo para lidar com o problema. “O momento precisa de estadistas e não fazedores de média. Se não fosse o Ministério Público (MPSC) tomar as rédeas da situação, estaríamos muito pior em determinados pontos do estado. É hora de autoridade, está faltando isso”, disse Caropreso.

“As pessoas precisam se dar conta de que não é algo passageiro, ninguém tem um hospital no quintal da sua casa, falta consciência, falta autoridade, falta respeitar a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a ciência. A fila vai aumentar para quem não é da covid”, disse Carminatti.

Kennedy foi o primeiro a discordar, seguido por Lima e pelo deputado Felipe Estevão (PSL). Os três são bolsonaristas.

“Concordo quando dizem da responsabilidade de cada um, mas não com mão-de-ferro. Isso se chama ditadura, porque o lockdown não deu certo em nenhum lugar. Aqui em Joinville os funcionários das grandes empresas podiam ir trabalhar de ônibus, mas para o povo que precisava trabalhar, não”, afirmou Kennedy, que ainda questionou os colegas: “Por que vocês não falam que a mortalidade baixou para 1,04?”

“É muito difícil se não convencer pelo exemplo. Fica difícil impedir que as pessoas se aglomerem, se fecha transporte público e ela vê os ônibus de grandes empresas circulando”, concordou Lima, acrescentando que o uso da autoridade pode derivar em abuso de autoridade.

“A gente entende a gravidade, de um lado tem pessoas que estão sofrendo demais, pessoas do grupo de risco, por outro lado, uma série de restrições, ditadura, autoritarismo desenfreado. Tem cidades que estão fazendo terrorismo, as pessoas têm de entender que é um perigo, é preciso conscientizar as pessoas para que se cuidem, evitem as aglomerações, mas tem de ser feito com responsabilidade e equilíbrio”, argumentou Estevão.

Os deputados que cobravam medidas mais duras estavam criticando o governo estadual pelo afrouxamento das regras que permitiram o avanço da pandemia no estado. Carlos Moisés, que liderou as ações estaduais no início do ano, já havia começado a flexibilizar de maneira perigosa, mas ainda assim com cuidados relevantes. Quando ele foi afastado e Daniela Reinerh assumiu o comando, SC desceu a ladeira. Neste momento, tem a ocupação mais alta dos leitos de UTI: 84%.

A governadora interina se esforça para emplacar medidas de flexibilização e é omissa nos alertas à população. Cobrada por mais medidas na Alesc, conta com a defesa de representantes de Joinville, a cidade que soma 381 mortes pela doença desde o início da pandemia.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Bruno Collaço/Alesc
Informações: Alesc