A política em Joinville: Reduzir assessores é legado de quem pouco ou nada fez

Por Felipe Silveira
Foto de Mauro Arthur Schlieck/CVJ

Ninfo König (PL) é um homem rico que já idoso decidiu entrar na política. Queria mostrar como um empresário de sucesso poderia ensinar algumas coisas à classe tão criticada. Em vão, chamava a atenção dos colegas vereadores que cochichavam enquanto ele discursava, indignado com a falta de educação. Até que um dia tomou um pito de um colega por estar cochichando durante um discurso.

Ninfo não gostou da experiência na câmara joinvilense, tanto que não se candidatou à reeleição. Mas está cada vez mais envolvido com política. Liberal no início do mandato, fez morada no bolsonarismo que ascendeu ao poder. Seu discurso tornou-se cada vez mais antipolítico.

E antipolítico será seu legado na CVJ. Ninfo é autor do projeto que limita a quatro o número de assessores para cada vereador joinvilense. Hoje são sete: um chefe de gabinete, dois técnicos e quatro operacionais. Se os parlamentares aprovarem o Projeto de Resolução 12/2019, o número passa a quatro: um chefe de gabinete, dois técnicos e um operacional.

O trabalho de um vereador pode ser intenso ou tranquilo. Depende do quanto ele quer mostrar. Do quanto ele quer fazer. É um trabalho intelectual, mas que exige muito esforço físico. São reuniões com a comunidade, reuniões com autoridades e horas e mais horas de estudo, reflexão e debate sobre as leis, sobre a cidade e sobre os rumos da sociedade. Deveria ser assim, pelo menos. Quem decide é a sociedade, na urna. Nós escolhemos os caras que vão trabalhar ou enrolar.

Agora, vamos supor que escolhemos bem no último dia 15, que votamos em pessoas que vão trabalhar. Se isso aconteceu, quatro assessores é muito pouco. São dezenas de bairros, centenas de associações, dezenas de conselhos municipais, uma prefeitura com dezenas de secretarias e gerências, uma lei orgânica com centenas de artigos, planos municipais para revisar, outros para construir, conferências para frequentar e leis para fazer. Um bom vereador, interessado em mudar as coisas, deve ter em mente que isso é apenas parte do trabalho.

Há, no entanto, um tipo de parlamentar que não vai ligar para nada disso. Será o vereador que vai ficar de papo furado na rede social, performando para o seu público. Para isso não será necessária assessoria mesmo, pois não é trabalho, muito menos o trabalho parlamentar que a sociedade precisa e exige.

É provável que o projeto de Ninfo König seja aprovado pelos atuais vereadores, antes do próximo mandato. Como a maioria vai sair, pouco se importam. Além disso, votar contra poderá comprometer a imagem do parlamentar nessa sociedade altamente antipolítica. É capaz de alguém votar contra e virar alvo dessas páginas salafrárias que fazem de tudo para despolitizar o ambiente ainda mais. O estrago está perto de ser feito por quem não se propôs a fazer nada além do estrago.


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