Ricardo Ledoux lança música baseada em obra de Luiz Henrique Schwanke

Por Amcle Lima
Foto: Divulgação

O músico joinvilense Ricardo Ledoux lança nesta sexta-feira (20) a canção “Distante Semblante”. A música será o carro-chefe do projeto “Caos da Manhã”, de 2016, que agora será lançado nas plataformas de áudio. A composição é baseada em obra do artista plástico Luiz Henrique Schwanke, de Joinville, e no conto “A Casa Tomada”, do escritor argentino Julio Cortázar, . Conversamos com Ledoux sobre as inspirações para essa canção:

O Mirante – A canção “Distante Semblante” é inspirada no conto “A Casa Tomada”, do escritor argentino Julio Cortázar. Qual elemento desse conto te inspirou para escrever essa música?

Ricardo Ledoux – Eu conheci o conto por uma obra de artes visuais. Na verdade, eu conheci primeiro a obra e depois o conto. No caso, uma obra do Luiz Henrique Schwanke chamada “A Casa Tomada Por Desenhos Que Não Deram Certo” [é possível conferir a instalação na página do Instituto Schwanke], na qual ele faz uma referência ao conto. Essa obra era uma instalação de papéis gigantes dentro do espaço de uma galeria e ele usava um refletor de luz que iluminava esses papéis e projetava imagens na parede.

Então a partir dessa obra eu fui atrás do conto. E esse conto deixa uma interrogação. Na verdade, quem termina a história é o próprio leitor. A inspiração para a música vem da obra do Schwanke e do texto. Mais tarde eu fui para Argentina e em Buenos Aires comprei uma edição do livro “Bestiário”, no qual está esse conto, e pude ler em espanhol. Mas a inspiração para essa canção tem a ver com a minha situação quando voltei para Joinville em 2013 e que fiquei muito isolado. Foi um reencontro com a cidade, com as pessoas que eu conhecia aqui, com as amizades, e eu fiquei um tanto quanto isolado. E foi um reencontro comigo também, com as coisas que eu queria para a frente. Foi quando eu retomei minha carreira na música.

A inspiração para “Distante Semblante” foi mais no conto, no isolamento, nessa coisa de você viver sozinho. Eu vivia em um apartamento no centro da cidade, sozinho, e tinha uma relação a distância com uma pessoa que vivia a 700 km. E acabou que eu me sentia como que nessa casa tomada do conto na qual os meus espaços internos estavam sendo tomados por um vazio. Como a Irene e o irmão dela [personagens do conto] que viviam nessa casa que foi tomada por algo que não se sabia o que era.

Você tem formação em artes visuais e, nesse campo, é bastante comum a apropriação de uma outra obra artística, a desconstrução e a reconstrução dessa obra, formando uma nova. Pode-se dizer que a canção “Distante Semblante” foi construída por essa técnica das artes visuais?

Hoje em dia nas artes visuais se utiliza mais o termo revisitamento, porque você revisita uma obra no passado e traz uma outra versão dela para o presente. Sim, com certeza, eu me inspirei nesse tipo de ação, porém, na música também existe. Se a gente parar para pensar, tem música que se inspira em obras de outras linguagens ou que são resposta a uma outra música, enfim. Mas me apropriei sim dessa ideia de você se inspirar em outra obra e criar uma obra nova, porque justamente eu venho das artes visuais e isso faz com que eu pense dessa maneira. É meio comum até fazer esse tipo de ação nas minhas músicas, sendo como resposta ou revisitando uma outra obra do passado. É bem usual acontecer nas minhas canções.

Ainda sobre esse cruzamento com artes visuais. “Distante Semblante” está saindo agora nas plataformas de áudio, mas já tem clipe há algum tempo (veja no Youtube) e no final do clipe tem uma mini instalação. Como surgiu essa ideia para o clipe?

Aquilo foi uma montagem da galera que fez o clipe e fazia parte do roteiro que foi feito pelos alunos da Unisociesc para projeto Clipagem, em 2018. Uma coisa que me chamou a atenção, tanto no clipe quanto nessa cena final, que parece uma obra, aquela cadeira com um monte de papel, é que não intencionalmente fez referência ao Schwanke. Ele trabalhava muito as cadeiras como personas. Então, por exemplo, um tipo de pessoa era uma determinada cadeira. Ele fazia releituras de obras do barroco e pegava uma cadeira representando Jesus e outra cadeira representando o José, pai de Jesus. Ele fazia um olhar a partir daquelas duas figuras da pintura original e trazia para o contemporâneo em forma de cadeira, as pessoas eram cadeiras. Então ficou louco porque tem uma cadeira ali e aqueles papeis no chão como se fosse algo desenhado ou escrito que não deu certo.  E fez uma conexão novamente com a obra “A Casa Tomada Por Desehos Que Não Deram Certo”. Na verdade, eu não sei se foi intencional, porque eu não dei essa ideia para os alunos que fizeram o clipe. Ficou até intrigante para mim.

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