“Mulheres e caça às bruxas” é o livro de novembro do Leia Mulheres

Em novembro, o Leia Mulheres Joinville discute “Mulheres e caça às bruxas” (2019), da pesquisadora italiana Silvia Federici. Na obra, a autora revisita os principais temas de um trabalho anterior, “Calibã e a bruxa”, analisando as perseguições às bruxas na Europa dos séculos XVI e XVII. O texto apresenta informações sobre a violência sistêmica contra as mulheres hoje e denuncia como se deram — e se dão — processos de “cercamento” do corpo da mulher, de sua autonomia em relação à reprodução e de sua subjetividade.

O encontro do grupo — que tem como objetivo propor ações para inclusão da presença da mulher no mercado editorial —, ocorre no sábado (21), pontualmente às 15h30 (entrada na sala virtual às 15h20). A mediação será feita pela jornalista Marcela Güther. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas preenchendo este formulário online.

Por que voltar a falar, hoje, sobre caça às bruxas? Em “Mulheres e caça às bruxas”, Silvia Federici revisita os principais temas de um trabalho anterior, “Calibã e a bruxa”, e nos brinda com um livro que apresenta as raízes históricas dessas perseguições, que tiveram como alvo principalmente as mulheres.

Federici estrutura sua análise a partir do processo de cercamento e privatização de terras comunais e, examinando o ambiente e as motivações que produziram as primeiras acusações de bruxarias na Europa, relaciona essa forma de violência à ordem econômica e argumenta que marcas desse processo foram deixadas também nos valores sociais, por exemplo, no controle da sexualidade feminina e na representação negativa das mulheres na linguagem.

A partir desse debate, a autora nos mostra como as acusações e a punição de ‘bruxas’ se repete na atualidade, especialmente em países como Congo, Quênia, Gana e Nigéria, na África, e Índia. Com apresentação da estudiosa Bianca Santana, a obra conta também com orelha de Sabrina Fernandes. A tradução brasileira é de Heci Regina Candiani.

Silvia Federici nasceu na Itália, em 1942. É professora emérita na Universidade Hofstra, em Nova York. Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, onde pouco depois participou da fundação do International Feminist Collective e batalhou a favor do salário para trabalhos domésticos. Nos anos 1980, a ativista feminista viveu na Nigéria, onde deu aulas na Universidade de Port Harcourt e ajudou a criar o Committee for Academic Freedom in Africa. Além de “Mulheres e caça às bruxas” (Boitempo, 2019), é também autora de “Calibã e a bruxa” (Elefante, 2017) e “O ponto zero da revolução” (Elefante, 2019).

 


Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Leia Mulheres