Esquerda volta à CVJ com eleição de mulher negra e feminista

Depois de uma legislatura sem parlamentares de esquerda, a Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ) volta a ter uma representante do campo ideológico. A eleita é Ana Lucia Martins (PT), uma mulher negra como tantas que surgiram como novidade neste pleito Brasil afora. Várias capitais elegeram mulheres com este perfil, reduzindo um pouco a imensa diferença de representatividade entre grupos sociais.

Com 3.126 votos, Ana Lucia será a única representante do campo de esquerda na Câmara de Vereadores. Professora, também é atuante no movimento de mulheres e no movimento negro. Contou com a militância desses grupos para conquistar votos que a fizeram vitoriosa no pleito. Em uma postagem de agradecimento, ela mencionou as lutas:

“Por uma cidade antirracista, em defesa das mulheres, mais igualitária e plural, que inclua todas, todos e todes. Por uma cidade que ofereça vida digna, com educação, moradia, transporte, cultura, lazer e outras políticas públicas que permitam a mobilidade social de quem está excluída(o) do centro”.

Outro fator importante para a eleição foi a mobilização do PT para voltar a ter um nome no legislativo. Em 2012, o partido elegeu três vereados e, em 2016, nenhum. Neste ano formou a nominata completa e começou a trabalhar com antecedência para conquistar uma cadeira. Deu certo.

Outros partidos de esquerda não conseguiram eleger representantes. O PDT, que em Joinville pende ao centro, tinha candidaturas de esquerda que poderiam ocupar a vaga do centrista James Schroeder, o vereador que disputou o cargo executivo. O partido elegeu o ex-líder estudantil Lucas Souza, que tem um perfil mais ao centro.

Ana Lucia Martins é viúva de Maurício Rosskamp, advogado e servidor público da CVJ assassinado em dezembro de 2018, em um caso que chocou Joinville. Maurício ganhou notoriedade pela elaboração de pareceres técnicos na casa legislativa.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Redes Sociais de Ana Lucia Martins