Por que não entrevistei quatro vices para o especial?

Goste-se ou não, vices estão em alta. O decorativo que virou presidente em um “grande acordo nacional” e a vice bolsonarista que agora comanda Santa Catarina são personagens recentes. O novo presidente americano foi vice de Barack Obama, o que certamente pesou na vitória em 2020. Os vices também têm história em âmbito municipal. Marco Tebaldi herdou a prefeitura de LHS e se tornou uma das principais lideranças políticas da cidade. Além desses casos recentes, a história do país é marcada por figuras que chegaram ao poder pela função. Jango assumiu o governo, começou a implantar reformas e sofreu o golpe. Itamar criou o Plano Real. E a importância dos vices – para o bem e para o mal – é apenas um dos motivos pelo qual O Mirante dedica suas páginas a eles. O outro é que essas fascinantes figuras públicas recebem pouquíssima atenção da imprensa e da sociedade, ainda mais em uma eleição com 15 candidaturas, em que a população mal pode conhecer os candidatos titulares. Bom, até agora, pois neste especial O Mirante vai falar dos vices como você nunca viu. Confira todos os publicados.

Por Felipe Silveira
Fotos: Divulgação

Quatro candidatos não foram entrevistados para o especial “Os vices como você nunca viu”. Há um motivo geral e outros específicos, relativos a cada candidatura. O motivo geral é que não deu tempo para correr atrás dos candidatos que não responderam, demoraram para responder ou furaram. Vou detalhar cada situação à frente.

Considerando o cenário, ainda houve um critério editorial: como candidatos querem sustentar uma candidatura à prefeitura da maior cidade do estado se não conseguem contratar assessorias de imprensa (ou engajar militantes) que entrem em contato e enviem materiais para os jornais da cidade? Nenhum dos candidatos que ficou de fora do especial entrou em contato com o o jornal O Mirante. Como querem os votos se não conseguem sustentar uma página com informações mínimas sobre a candidatura? Outros candidatos não tinham assessorias e páginas, e também não entraram em contato com o jornal, mas responderam quando foram procurados. Detalho caso a caso.

Simone Rietter, vice de Levi Rioschi (DC), atendeu ao chamado e marcamos um horário, na casa do candidato. No dia combinado, entrei em contato com Simone para conferir se estava tudo certo. Ela disse que não poderia naquele dia, 4 de novembro, porque ia trabalhar até mais tarde. Sugeri outras datas, inclusive no final de semana, e ela disse que ia trabalhar. Ficamos de ver outra data, mas não vimos. Desconfiei que Simone não queria dar essa entrevista e não a procurei mais.

O candidato Joacir do 5 Estrelas participa de uma chapa forte, com recursos, como vice de Anelisio Machado (Avante). Mas também não respondeu ao pedido de entrevista. Em condições normais, insistiria com Joacir, buscando outros contatos. Mas não foi possível devido ao tempo escasso. Como a campanha de Anelisio não mandou materiais para o jornal, e também não respondeu ao pedido, também ficou de fora.

Israel Petróleo respondeu ao pedido, na página do Facebook, com um número de celular. Fiquei de procurá-lo, mas devido a falta de tempo também desisti. No caso de Israel, vice de Marco Marcucci (Republicanos), eu abdiquei da entrevista. Ver o titular gritando inconstitucionalidades na TV (“vou expulsar vagabundo do centro”), assim como seus comentários em debates, me ofendia enquanto cidadão. Eu deveria entrevistá-lo, sim, porque ele respondeu e este era um critério importante. Mas o titular do Republicanos me fez desistir.

Por fim, Everaldo Avila não respondeu ao pedido. Mas, mesmo se fizesse, eu acho que não iria entrevistá-lo, pois para tudo há um limite. O vice de Eduardo Zimmermann (PTC) fala e compartilha coisas em seu perfil que considero ofensivas, assim como toda essa candidatura adepta de um bolsonarismo que vou evitar adjetivar. Para citar um exemplo, ele compartilhou o vídeo de uma entrevista de um cara que chamava a grande imprensa de prostituta. Considero que quase tudo que Eduardo Zimmermann fala desrespeita a democracia e, mesmo que ele quisesse me dar entrevista (nunca quis, pois nunca mandou nada ou jornal nem respondeu), eu não iria querer.