Monumento ao Imigrante é palco de intervenções artísticas neste sábado

Primeiro levaram a espingarda, depois um braço. Logo levam a criança e a família toda. Sim, estamos falando dos imigrantes mais conhecidos de Joinville, eternizados no monumento da Praça da Bandeira, vandalizado duas vezes, em 2017 e 2019, e sem sinais de restauro por parte das autoridades municipais.

Para chamar atenção para o problema, os artistas visuais e professores Alena Marmo e Zé Kielwagen lançaram um edital para artistas locais desenvolveram trabalhos relacionados à obra de Fritz Alt inaugurada no centenário da cidade. Interessados podiam propor performance, intervenção urbana, arte social ou relacional, dança, música, teatro e outras práticas, desde que não danificassem o monumento e que fossem responsáveis em tempos de pandemia e distanciamento social.

As apresentações têm início neste sábado (7), a partir das 14 horas. Serão duas atividades: “Distração”, por Nicole Leite, e “Partes Invisíveis”, por Francisca Silva. Outras apresentações estão marcadas para 21 de novembro e 5 e 19 de dezembro.

“O poder público não toma nenhuma medida, não financia nenhum trabalho de preservação, de restauro. Há uma promessa de várias gestões de fazer esse trabalho e isso nunca se concretizou. A gente aproveitou que se trata de um ano eleitoral para ver se essa manifestação chama a atenção dos candidatos à prefeitura, dos vereadores, e quem sabe alguém se comprometa a fazer esse trabalho de preservação de um monumento que é bem importante para a história local”, explicou Alena.

Alena Marmo e Zé Kielwagen colaboram em projetos curatoriais independentes em Joinville desde 2006, com foco em explorações do espaço público e urbano da cidade e de meios de expressão alternativos. Além de artista e curadora independente, ela é doutora em Artes Visuais (ECA/USP), mestre em Artes Visuais (UFRGS) e graduada em Educação Artística (Univille). Atualmente coordena o curso de Artes Visuais da Univille. Também é diretora cultural do Instituto Luiz Henrique Schwanke. Zé Kielwagen, ou Jefferson Kielwagen, é artista e professor. Tem mestrado em Teoria e História da Arte (Udesc) e MFA em Studio Arts (Michigan State University). Leciona no departamento de artes do Instituto Politécnico Rensselaer em Troy, em Nova Iorque.

“Ações de Emergência” foi o nome dado ao projeto. Cada proposta selecionada recebeu uma ajuda de custo de até R$ 500. O valor foi levantado através de doações e o projeto não recebeu nenhuma ajuda financeira de instituições culturais ou de outra natureza, pública ou privada, ou de partidos políticos. As ações serão documentadas em foto e vídeo e serão exibidas em redes sociais, além de serem utilizadas posteriormente pelos curadores a fim de promover conversas e reflexões.


Text e foto: Felipe Silveira
Informações: Divulgação