Moisés é afastado e Daniela Reinerh assume comando de SC

Um voto joinvilense decidiu o futuro de Santa Catarina, ao menos pelos próximos meses. Membro do Tribunal Especial de Julgamento, o deputado Sargento Lima (PSL) votou pela absolvição da vice-governadora Daniela Reinerh e pelo acatamento da denúncia contra o governador Carlos Moisés. No conjunto de votos, o de Lima foi decisivo para afastar Moisés por até 180 dias e permitir que a vice assuma interinamente o comando do estado até o julgamento definitivo de Moisés.

Voto do deputado joinvilense foi decisivo para decidir o futuro de Santa Catarina, ao menos pelos próximos meses – Foto: Bruno Collaço/Alesc

Em uma sessão que durou 15 horas — com início às 9 horas de sexta-feira (23) e encerramento às 2 horas de sábado —, deputados e desembargadores membros do tribunal misto votaram a admissibilidade da denúncia contra o governador e a vice por crime de responsabilidade no caso do reajuste salarial dos procuradores do estado.

O relator da denúncia, deputado Kennedy Nunes (PSD), recomendou em seu parecer o prosseguimento do julgamento por crime de responsabilidade contra o governador e a vice. Como ele votaram os deputados Mauricio Eskudlark (PL), Luiz Fernando Vampiro (MDB) e Laércio Schuster (PSD), além do desembargador Luiz Felipe Schuch. Contra o relatório, e portanto contra o prosseguimento da denúncia contra o governador e a vice, votaram os desembargadores Carlos Alberto Civinski, Sergio Rizelo, Claudia Lambert de Faria e Rubens Schultz.

Considerando os votos acima, há o seguinte quadro: cinco votos a favor do relatório e quatro contrários. É aí que o voto de Lima muda o cenário.

Como ele votou pelo prosseguimento da denúncia contra o governador, o placar ficou em 6 a 4, aprovando o relatório e afastando Carlos Moisés. Mas, como ele votou pela absolvição da vice, o placar ficou empatado no caso de Daniela Reinerh.

E, em caso de empate, quem dá o voto de minerva é o presidente do tribunal especial, o desembargador Ricardo Roesler. E ele votou contra o relatório, fechando o placar em 6 a 5 pela absolvição.

Com a decisão, Carlos Moisés, além do afastamento do cargo a partir da próxima terça-feira, será julgado pelo tribunal especial. Se for considerado culpado, será definitivamente afastado da chefia do Poder Executivo. Já Daniela Reinehr passará a ser a governadora interina de Santa Catarina a partir da próxima terça-feira (27). Ela permanecerá nessa condição até a conclusão do julgamento de Moisés.

“A decisão hoje deliberada muda o curso da história política catarinense. Que Santa Catarina de Alexandria interceda e Deus abençoe a todos para que atuem com sabedoria e serenidade”, afirmou, ao final da sessão, o presidente do tribunal.

Daniela Reinehr acompanhou toda a sessão pessoalmente. Ao final, comemorou o arquivamento da denúncia com assessores e advogados. “Não pensei que a missão viesse dessa forma, mas me cabe agora abraçá-la e bem cumpri-la, cuidar bem do estado. Vou dar meu melhor”, disse a futura governadora interina.

Bolsonarista, Daniela Reinerh rachou com o PSL de Moisés logo no primeiro ano do governo. Saiu do partido para acompanhar o presidente Jair Bolsonaro na construção de um novo partido, o Aliança, que ainda não se concretizou. O racha com Moisés foi, por bastante tempos, mais uma relação fria do que uma briga, já que o governador escanteava a vice. No meio deste ano, Daniela veio a público para fazer críticas a Moisés e a relação azedou de vez. Contudo, na véspera da sessão que afastou Moisés, os dois inauguraram uma obra juntos em Balneário Camboriú.

“Um dos principais desafios será criar um canal eficiente de comunicação tanto com a assembleia quanto com os demais poderes, com toda a sociedade catarinense, buscando essa harmonia que tanto está faltando em nosso estado”, finalizou, aludindo a uma questão que pode ter sido a causa da queda de Moisés, segundo comentaristas políticos.

Kennedy Nunes, relator da denúncia, recomendou o prosseguimento do julgamento por crime de responsabilidade contra o governador e a vice – Foto: Bruno Collaço/Alesc

Edição: Felipe Silveira
Foto: Bruno Collaço/Alesc
Informações: Alesc