Sinsej cogita paralisação em caso de volta às aulas presenciais

O Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville e Região (Sinsej) realiza uma assembleia nesta sexta-feira (9) para discutir a volta às aulas presenciais em Joinville. Uma paralisação não está descartada. Para o sindicato, o retorno às salas de aula só será possível com uma redução drástica da pandemia e com garantia de segurança sanitária para a comunidade escolar.

A Prefeitura de Joinville anunciou o retorno das atividades presenciais para o dia 20 de outubro, em um sistema de rodízio semanal que abrangerá, em primeiro momento, 30% dos estudantes de cada turma. Com a nova medida, que poderá ser adotada pelas escolas privadas da cidade, 30% dos alunos do 9º, 5º e 2º período da Educação Infantil e Educação de Jovens e Adultos (EJA) retornam na primeira semana de liberação da volta presencial.

De acordo com Sônia Fachini, secretária municipal da Educação, as crianças não serão obrigadas a retornarem para o ensino presencial em primeiro momento. Quem optar por não retornar presencialmente, deverá continuar realizando as atividades no modelo remoto.

Apesar do planejamento da Secretaria da Saúde, o governo estadual só permitirá o retorno às aulas presenciais caso Joinville reduza a sua classificação na Matriz de Risco da Covid-19, saindo do grave (cor laranja) para o nível alto (amarela).

Realidade é outra, diz Sinsej

Para o Sinsej, no entanto, mesmo  que a Secretaria de Educação afirme que todas as escolas da rede municipal estão preparadas dentro dos protocolos para recebimento dos alunos, a realidade mostra outra situação. “Muitas salas de aula possuem apenas janelas basculantes, o que não garante a ventilação ideal, e a maioria das escolas conta com bebedouros coletivos, contraindicados em tempos de pandemia”, registra a nota do sindicato à imprensa.

A nota ainda traz o depoimento da professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II, Hanelore Bandel Leal, que atua na educação pública de Joinville desde 2008 e integra o Conselho de Representantes por local de trabalho do sindicato:

“Imaginem várias pessoas na mesma sala com janelas basculantes, onde as crianças, numa nova realidade, não poderiam se tocar ou interagir, deveriam manter distanciamento adequado, com o uso de máscaras e consciência de higienização constante, exigindo de cada uma delas uma maturidade que não caracteriza sua idade cronológica”, comenta a professora. Para ela, trata-se de uma catástrofe anunciada.

O sindicato também critica o termo de responsabilidade que a Prefeitura quer que os pais assinem, em que declarariam “ter ciência de todos os problemas causados pela pandemia COVID-19, dos riscos em relação ao contágio do coronavírus” e “do agravamento dos riscos que envolvem o retorno às aulas presenciais”.

Para o sindicato, a responsabilidade é do Estado, e não dos pais, que não têm obrigação de possuir o conhecimento necessário para discernir qual o momento seguro para mandar seus filhos de volta à escola.

Outro problema apontado pelos servidores é que, como serão apenas duas horas de aulas presencias para cada turno, os pais e responsáveis precisam levar e buscar seus filhos em um pequeno intervalo de tempo, o que não é possível para a maioria dos que trabalham.

“Fato é que a decisão do governo em retomar as aulas presenciais no dia 20, se for confirmada, irá expor alunos, servidores da educação e famílias a um alto risco de contágio, o que poderá levar a cidade e a região a um novo pico de casos e mortes pelo coronavírus”, registra a nota sindical.

O sindicato ainda critica que a nova realidade imposta pela pandemia tem exigido um grande esforço dos profissionais da educação e afirma que a direção do Sinsej tem recebido constantes denúncias com relação ao assédio que os educadores vêm sofrendo para darem conta das novas demandas. Com o retorno das aulas presenciais, o Sinsej acredita que a situação ficará ainda pior.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Redes sociais do Sinsej
Informações: Assessoria do Sinsej