Setor cultural apresenta demandas e sugestões às candidaturas em Joinville

Diálogo com o setor, cumprimento da lei de inclusão de pessoas com deficiência, atenção ao plano municipal (que é lei) e a volta de uma pasta exclusiva para a cultura são algumas das reivindicações presentes em carta aberta aos candidatos e candidatas aos poderes de Joinville neste ano. A autoria é do Movimento Cultura Mobiliza, criado em março deste ano para atuar politicamente na área cultural.

No documento, o movimento lembra aos candidatos à Câmara de Vereadores que agentes culturais, como artistas, produtores, professores e técnicos, fazem parte da população joinvilense e também devem ter a atenção dos políticos. A eles pedem que compreendam funcionamento do Sistema Municipal de Cultura e acompanhem os trabalhos do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC). Que participem da agenda cultural da cidade e estabeleçam espaços de escuta do setor, entre outras questões.

Para as candidaturas à Prefeitura a lista é mais ampla. São 12 itens para a gestão de modo geral e mais nove destacados para o primeiro ano de mandato. Nesse pacote estão cancelar o decreto de 2017 acerca do Simdec e desburocratizar o acesso; revitalizar espaços de apresentação, como praças e parques; realizar a Conferência Municipal de Cultura em 2021; reativar a Fundação Cultural (ou estrutura similar); e reformular o planejamento turístico da cidade com estratégias de promoção e divulgação da identidade cultural.

A relação do setor cultural com o governo Udo Döhler (2013 a 2020) não foi das melhores. Boa parte das sugestões apresentadas leva em consideração problemas que o setor aponta na gestão atual. Em 2015, protestou contra a extinção da Fundação Cultural de Joinville (FCJ) e fusão da pasta com a secretária de turismo, o que resultou na atual Secult. A foto acima é de um protesto realizado pelo setor durante a festa de carnaval daquele ano. Em 2017, Udo Döhler assinou um novo decreto para regular o Simdec, o que gerou imensas dificuldades para os agentes culturais acessarem aos recursos. O Mirante contou a história em junho. Esses foram apenas alguns dos problemas da gestão atual apontados pelo movimento.

De acordo com Samira Sinara Souza, atriz joinvilense envolvida com o movimento, o “descaso do Executivo” não foi o único problema no que se refere à política. “Eu vejo que poucos vereadores se importaram com esse descaso. A gente teve pouco diálogo com os vereadores. A gente fazia as reuniões do CMPC no Plenarinho para que eles participassem, mas pouquíssimos estavam lá. Um ou outro a cada três ou quatro meses, que ficavam cinco minutos e iam embora”.

Esse descaso geral, ela conta, levou à criação do movimento que agora viu, por meio da carta, uma oportunidade de estabelecer o diálogo. “Resolvemos fazer essa carta aberta com todos os partidos que fazem parte da cidade para que possam ter conhecimento das ações prioritárias, como Cidadela Cultural Antarctica, Plano Municipal de Cultura, Simdec, espaços culturais abertos, pontos de cultura. São várias as solicitações e proposições para que o candidato consiga estar dialogando com a classe artística, algo que não ocorreu nos últimos anos”, explicou Samira.

O Movimento Cultura Mobiliza sugeriu que partidos e candidatos respondam a carta até o dia 7 de outubro, quando começará a divulgar as respostas em sua página no Facebook.

Leia a carta completa aqui


Texto: Felipe Silveira
Foto: Cedida por Jéssica Michels
Informações: Movimento Cultura Mobiliza