Após cabo de guerra interno e ameaça federal, PSB coliga com MDB em Joinville

Na reta final do acerto de coligações, o PSB Joinville tinha quatro opções: candidatura própria, união de esquerda com o PT, indicar a vice na chapa do PDT ou coligar com o MDB. Sob ameaça de intervenção federal da direção nacional, prevaleceu a última opção. O partido estará na chapa de Fernando Krelling, que ainda tem PTB, PROS, PRTB na coligação.

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O PSB local vive um momento de reajuste de rota. Comandando por Paulo Bornhausen (filiado por Eduardo Campos em 2013), o partido que se chama socialista brasileiro viveu um período à direita no estado. Fazia parte do projeto nacional de Campos, que buscava uma coligação de centro. Com o político pernambucano morto em acidente de avião durante a campanha à presidência em 2014, mas não somente por isso, o partido ficou ideologicamente à deriva. E, agora, principalmente durante o governo Bolsonaro, tenta guinar à esquerda.

Foi isso, inclusive, que fez rachar a relação com o deputado federal Rodrigo Coelho. Um dos favoritos como pré-candidato à Prefeitura, Coelho, que ingressou na sigla durante essa aventura de direita, e o partido romperam devido o apoio do parlamentar a Jair Bolsonaro. Ele chegou a pedir o mandato na Justiça, sem sucesso. Tentou convencer o partido a aceitar sua candidatura, igualmente sem vitória. Assim, aderiu à campanha de Darci de Matos (PSD), da qual é coordenador.

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No sentido de caminhar para a esquerda (e talvez parar ali pela centro-esquerda), eram boas as chances de o PSB coligar com o PT. Seria uma espécie de retribuição à coligação de Chapecó, onde Pedro Uczai (PT) é candidato a vice de Cláudio Vignatti, atual presidente estadual do PSB. Com dois dos políticos mais importantes da cidade na chapa, a esquerda tem chance de vencer no Oeste. Em Joinville, a disposição de fechar com os petistas encontrou resistência interna, em especial entre os candidatos à Câmara. Alguns por pragmatismo, outros por ideologia.

Outra possibilidade que chegou perto de se concretizar foi a chapa com o PDT. Os democráticos trabalhistas esperaram até a última hora, a noite de sexta-feira (18), para anunciar o vice. O advogado Adilson Caetano Buzzi será vice na chapa pura liderada pelo vereador James Schroeder. A vaga, no entanto, era do PSB. Existe, inclusive, pré-disposição dos partidos para

A outra opção era a candidatura própria. Victor Vargas de Andrade, presidente municipal, vinha construindo a pré-candidatura nos últimos meses. Mas, com pouca viabilidade eleitoral, estava disposto a abrir mão para um projeto maior, com uma coligação.

Nenhum desses cálculos e discussões, no entanto, valeu na hora final. A direção nacional do partido (na foto, o presidente Carlos Siqueira) ameaçou intervir na executiva municipal se fosse tomada qualquer outra decisão que não fosse a coligação com o MDB. Como Joinville é uma cidade importante no cenário nacional, deve ter entrado na conta de coligações Brasil afora.

O partido não tem nenhum cargo na campanha, a princípio, e estuda como vai se envolver. Caso Fernando Krelling saia vitorioso em novembro, é provável que tenha cargos na gestão. E embora Fernando Krelling tenha declarado voto para Jair Bolsonaro, seu projeto é visto como mais ao centro do que o projeto de Darci de Matos, o que também teve peso na hora de decidir a coligação.

Por fim, a guerra nacional entre Carlos Siqueira e o deputado joinvilense pode ter sido definitiva. No momento, é claro que o maior adversário de Darci de Matos é Fernando Krelling. E, como Coelho está com Darci, o PSB nacional optou por fortalecer o adversário que, neste momento, é mais forte.


Texto: Felipe Silveira
Foto: PSB