“Risperidona”, peça de teatro que aborda a loucura, é transmitida neste sábado

Ocorre, neste sábado (5), a apresentação online da peça “Risperidona”, montado pela Companhia de Artes Vento Negro, de Caçador (SC). A apresentação solo aborda o tema da loucura, refletindo sobre como o sociedade a trata. O espetáculo será transmitido através do YouTube, às 20 horas.

A peça “Risperidona” foi escrita em 2018 pelo ator Rodrigo Schapieski, que mora em Joinville e é o artista solo que compõe a apresentação teatral. Rodrigo, baseado na sua experiência profissional em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), procurou retratar como as doenças mentais eram tratadas em diferentes momentos históricos, passando pelo trabalho de médicos como Nise da Silveira e Philippe Pinel.

De acordo com o ator, a peça se mostra mais atual no contexto da pandemia da covid-19, por “fazer uma analogia com as doenças psicossomáticas que estão surgindo e como temos lidado com isso”.

A peça transmitida através do YouTube é uma gravação do espetáculo solo de 2019. Segundo Schapieski, a decisão de apresentar uma peça gravada ao invés de realizar uma apresentação ao vivo se dá pela melhoria na qualidade do vídeo e pela comodidade do espectador, evitando quedas durante a apresentação.

Após a exibição de “Risperidona”, ocorrerá uma live com o ator, para que o mesmo possa conversar com os espectadores. Os ingressos custam R$ 20 (mais taxas administrativas) e podem ser obtidos através deste link.

Desafios do teatro à distância

O distanciamento social imposto pela pandemia da covid-19 apresenta um desafio para diversos setores da sociedade, e o teatro, uma forma de arte que polimorfa a partir da interação do público, não foge desse grupo.

Para o ator e escritor de “Risperidona”, a não existência de um público presente para a apresentação da peça impossibilita parte da magia do teatro. “Cada apresentação tem uma energia diferente, cada novo público e olhar da platéia fazem o teatro acontecer”, afirma Rodrigo.

A saturação de eventos online, a principal opção de acesso à cultura e ao entretenimento das famílias que se encontram em isolamento, também é um problema apontado por Schapieski. “É difícil nesses tempos em que tudo está online as pessoas se interessarem em assistir mais alguma coisa online”, diz.


Texto: Fernando Costa
Foto: Julia Perosa/Divulgação