A política em Joinville: Pontos fortes e pontos fracos dos pré-candidatos

Por Felipe Silveira
Foto: Cedida por Eberson Theodoro

Seguimos com a série de pontos fortes e fracos dos pré-candidatos à Prefeitura de Joinville. Seriam três por edição até acabarem os pré-candidatos, mas foi necessário reduzir para dois. Já foram avaliados Fernando Krelling (MDB), Tânia Eberhardt (Cidadania), Francisco de Assis (PT), Rodrigo Fachini (PSDB), Darci de Matos (PSD), Adriano Silva (Novo), Ivandro de Souza (Podemos) e Nelson Coelho (Patriotas). Veja os destaques de hoje.

Anelisio Machado (Avante)

Pontos fortes
Anelisio Machado é mais um empresário na disputa eleitoral em Joinville, mas com uma diferença em relação aos colegas de profissão que concorrem ao cargo. É um empresário, digamos, popular. Enquanto os outros postulantes circulam com mais desenvoltura nas classes médias e altas, Anelisio fala a linguagem e circula com mais naturalidade no meio do povo. Fundador de uma escola profissionalizante que se tornou faculdade de tecnologia, o professor-empresário desenvolveu boas relações com milhares de pessoas ao longo do tempo e tem o nome relacionado à educação e ao emprego — uma tecla que pode bater na campanha. Garoto-propaganda da própria instituição, tem o rosto conhecido pelos joinvilenses, coisa que conta pontos. Também é conhecido no meio do futebol local, já que foi presidente e jogador do Fluminense do Itaum. Também é diretor-geral de uma emissora de TV comunitária da cidade, onde atua como apresentador. Anelisio, que não é herdeiro, também obteve sucesso econômico, algo que costuma ser admirado socialmente. Considerando esse fator, dinheiro pode não sobrar, mas não será problema na campanha. Com uma pré-campanha bastante personalista, a ideologia fica em segundo plano, sendo difícil até saber qual é. Pode ser considerado um ponto positivo, em termos eleitorais, porque evita a rejeição que um lado tem pelo outro.

Pontos fracos
Anelisio já uma figura do folclore municipal. Jogar no clube que preside e ser garoto-propaganda do próprio negócio são coisas que contribuem para a figura popular, mas podem ser elementos negativos em uma campanha à prefeitura. Por isso, Anelisio precisa provar que, apesar do bom humor característico, pode ser um político sério, como a função exige. Figuras populares são comuns nas prefeituras de pequenas cidades, mas em Joinville o jogo é diferente. É um desafio para a campanha. Ser uma figura mais popular também o afasta de certos núcleos de poder, como associações empresariais. Como não é político, também é inexperiente na área, coisa que faz muita diferença na campanha. Está em um partido novo e pequeno. Como não exibe a ideologia, perde votos que se orientam por este fator.

Guilherme Luiz (PSOL)

Pontos fortes
Guilherme Luiz é o representante local de um partido que ascendeu na última década. Quem se identificou com a sigla nas últimas eleições nacionais, pela atuação de parlamentares, por causa das chamadas pautas identitárias (como questões raciais e de gênero) e também pela ideologia à esquerda, encontrará no jovem pré-candidato alguém que pensa da mesma maneira. Tanto é assim que ele já recebeu o apoio do presidente nacional da sigla, Juliano Medeiros. Também tem o apoio de figuras estaduais do partido, como Leonel Camasão, que ainda tem alguma influência na esquerda joinvilense. Se conseguir mostrar que é essa figura, pode ficar com esses votos do PSOL, de gente que não quer votar no PT e que também não quer votar em candidatos mais focados em uma revolução socialista. Outro ponto positivo é que se adiantou na pré-campanha. Dia e noite critica os governos Udo, Moisés e Bolsonaro, marcando forte presença nas redes sociais. O pré-candidato se comunica bem e sabe criar seus espaços, seja protocolando denúncias no MPSC ou lançando uma plataforma para ouvir ideias da população. Atuante em movimentos sociais da cidade, esteve mais envolvido com o movimento estudantil universitário, presidindo o diretório acadêmico da Udesc Joinville. Tem 23 anos e a juventude pode ser considerada um fator positivo para parte do público.

Pontos fracos
Mesmo que parte do público queira votar em um candidato jovem, a inexperiência é sempre um fator negativo do ponto de vista eleitoral. A eleição é um jogo complexo, com caminhos e macetes que são descobertos ao longo do tempo. Aos 23 anos, é impossível ser experiente. A falta de dinheiro também será um problema para a campanha do PSOL, um partido pequeno, que não tem o apoio de gente com dinheiro (obviamente) e que não tem muitos adeptos. É por essas características que o partido depende de militância, o que nos leva ao principal problema da campanha de Guilherme. Crescente na cidade entre 2010 e 2016, o PSOL local perdeu muita força nos últimos quatro anos e boa parte dos militantes se dispersou. Podem fazer falta na campanha de Guilherme, caso ela venha a se concretizar.


Frente de esquerda

É muito difícil que vingue uma frente de esquerda em Joinville, mas o PT não desistiu de uma coligação com mais partidos alinhados ideologicamente. Há conversas com setores do PSOL, com o PCdoB e o com o PSB. O PDT foi procurado, mas já descartou a possibilidade. A vaga de vice, em chapa encabeçada por Francisco de Assis, está aberta.

Fique atualizado/a

Você gosta de receber notícias pelo Whatsapp? Agora você fazer parte do grupo do jornal O Mirante e receber as notícias no momento em que elas são publicadas. Basta clicar aqui para entrar.

Retorno

Candidato a prefeito pelo PSOL em 2016, Ivan Rocha voltou à cena política para disputar a indicação do partido. Ele se juntou com Guilherme Luiz, na função de vice, para disputar com Mayara Colzani e Francisco Aviz, indicados pela organização Esquerda Marxista. A convenção do partido, com a definição dos rumos da sigla neste pleito, está marcada para 12 de setembro, às 15 horas.

James Schroeder

O PDT tem convenção marcada para este sábado. O vereador James Schroeder, que preside a sigla, é o pré-candidato a prefeito. Não está descartada a hipótese de ser vice em alguma coligação, mas a intenção de James é ser cabeça de chapa. O PV pode ser vice.

Bateram o martelo

Até o momento, três partidos realizaram suas convenções. O PSDB definiu que Rodrigo Fachini será cabeça de chapa e agora busca fechar a coligação com uma vaga de vice para oferecer. O Novo será representado por Adriano Silva, que terá Rejane Gambin como vice, do mesmo partido. Anelisio Machado será o candidato do Avante e também tem uma vaga de vice aberta.


Perguntar não ofende

Os políticos de Joinville, que tanto se orgulham das relações e do alinhamento com Jair Bolsonaro, poderiam, por obséquio, perguntar por que a esposa do presidente recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz. O povo quer saber!


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Quanto mais gente apoiar, melhor o jornalismo vai ficar.