A política em Joinville: Pontos fortes e pontos fracos dos pré-candidatos

Por Felipe Silveira
Foto: Cedida por Eberson Theodoro

A coluna A política em Joinville retornou nesta semana com o objetivo de ajudar o leitor e a leitora a entender o cenário eleitoral na cidade. Desde terça-feira (com uma pausa na quinta), destacamos os pontos fortes e pontos fracos de três pré-candidatos por edição. Hoje serão apenas dois, porque um dos pré-candidatos caiu na véspera da publicação e não deu tempo de substitui-lo. Confira:

Ivandro de Souza (Podemos)

Pontos fortes
Já faz tempo que o empresário Ivandro de Souza quer ser prefeito de Joinville, mas, em eleições anteriores, depois de medir a temperatura, acabou desistindo antes de começar a disputa. Desta vez parece ser diferente, até porque a preparação do pré-candidato foi diferente. Desconhecido pela população, buscou resolver esse problema com uma forte atuação nas redes sociais. Assim, com muitas lives nessa quarentena, conseguiu obter um alto engajamento (em resumo, interações com a página) nas redes sociais. Comunicar-se bem também é uma vantagem de Ivandro. Além disso, o pré-candidato vem estabelecendo laços, tentando reunir pessoas em torno de seu nome. Ou seja, buscando estabelecer alianças há mais tempo que os concorrentes. E, claro, criticando Udo Döhler. Ex-tucano, também pode se valer da adesão joinvilense à identidade do Podemos, partido novo que busca se construir à direita e próxima ao lavajatismo. Dinheiro também não será um problema para a campanha de Ivandro.

Pontos fracos
Tornar-se prefeito sem passar pela Câmara, como Ivandro quer, é bastante difícil. Consegue quem tem uma trajetória diferenciada em algum setor. Udo Döhler não era somente um empresário quando se tornou prefeito. Passou a vida fazendo política na Acij, era herdeiro de uma gigante da indústria têxtil e contou com o apadrinhamento decisivo de Luiz Henrique da Silveira. Outros tipos de trajetória contam, como uma liderança sindical ou uma carreira de sucesso na comunicação. Não é o caso de Ivandro, que é um empresário de sucesso, mas só. Outro problema é que o discurso de Ivandro é pouco profundo. Buscando agradar todo mundo, defende todas as pautas, mas de maneira superficial. Para provar ao povo que entende, que encontrará saídas para resolver os problemas, precisa mostrar mais.

Nelson Coelho (Patriotas)

Pontos fortes
O vice-prefeito de Joinville aposta todas suas fichas no bolsonarismo joinvilense para mudar de gabinete no prédio da Hermann Lepper. Militar que se tornou conhecido no município por pilotar o helicóptero Águia da Polícia Militar e se comunicar bem com a imprensa, se tornou um bolsonarista ferrenho, daqueles que defendem todas as pautas que vem do líder em Brasília. E esse discurso de “tiozão do zap”, essa ode à violência, as insinuações contra a esquerda, os ataques às instituições a à Constituição, isso tudo funciona. Se elegeu Jair, por que não pode eleger Nelson? O vice, que foi filiado ao MDB, rompeu com Udo Döhler no ano passado e tem criticado o governo desde então.

Pontos fracos
Em uma cidade cheia de candidatos bolsonaristas — uns mais envergonhados, outros menos—, qual é a vantagem de ser o mais bolsonarista? Aliás, o tipo de direita de Jair também conta com forte rejeição, o que pode prejudicar o desempenho de Nelson Coelho na urna. Outro ponto fraco é que, apesar de vice-prefeito, Coelho é um político inexperiente. Não era político antes de ser eleito e compôs a chapa de Udo justamente como um aceno à direita já em 2006. No governo, ficou escanteado, cumprindo agendas aqui e ali, mas sem influência na gestão. Por fim, como a maioria dos bolsonaristas, o pré-candidato tende a cair em fake news, como aconteceu em abril de 2018. Se acontecer novamente, será algo explorado pelos concorrentes.


Mudanças no PSOL

A coluna havia preparado um texto sobre Adilson Mariano (PSOL) para esta terceira rodada de pontos fortes e pontos fracos dos pré-candidatos. O ex-vereador e presidente da sigla socialista disputaria a indicação do partido com o jovem Guilherme Luiz, mas abdicou da vaga. A jovem Mayara Colzani vai para a disputa interna da sigla. Tanto ela quanto Mariano integram a organização política Esquerda Marxista, que é a corrente predominante no PSOL Joinville. Ao longo do dia, O Mirante trará a confirmação e mais detalhes sobre as mudanças no partido de esquerda.


PSTU entra na disputa

O professor Adriano Mesnerovicz é pré-candidato à Prefeitura pelo PSTU. A candidatura ainda será lançada, mas foi informada à coluna, que apura mais detalhes para publicar ainda nesta sexta-feira. Bem organizado no estado, o PSTU tem uma militância pequena, mas aguerrida em Joinville. Ricardo Lautert é o pré-candidato a vice.


Primeira rodada

Esta é a terceira rodada de apresentação de pontos fortes e fracos dos pré-candidatos à Prefeitura de Joinville. Na primeira, publicada na terça-feira (25), falamos de Fernando Krelling (MDB), Tânia Eberhardt (Cidadania) e Francisco de Assis (PT). A segunda rodada, publicada na quarta-feira (26), apresentou os pontos fortes e fracos de Rodrigo Fachini (PSDB), Darci de Matos (PSD) e Adriano Silva (Novo).


Perguntar não ofende

Os políticos de Joinville, que tanto se orgulham das relações e do alinhamento com Jair Bolsonaro, poderiam, por obséquio, perguntar por que a esposa do presidente recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz. O povo quer saber!


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.