Celesc justifica aumento da tarifa e deputados protestam

Na terça-feira (25), deputados catarinenses apelaram às Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) para adiar o aumento de mais de 8% na energia elétrica. No dia 18 de agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a tarifa de energia elétrica iria sofrer o aumento. O valor implementado no consumo passou a valer desde o dia 22 de agosto.

Também na terça, o presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, foi chamado para explicar à Comissão de Economia, Ciência e Tecnologia, o reajuste na tarifa de energia elétrica no estado catarinense. Martins afirmou que não havia o que fazer em função de obrigações legais cumpridas pela empresa, como a compra de energia de Itaipu, que tem o preço fixado em dólar. “Dos 8,14% de reajuste, apenas 0,54% é de responsabilidade da Celesc”, destacou o dirigente.

Para Martins, o reajuste poderia ter sido maior, mas foi contido pelo repasse de R$ 583,2 milhões feito pela Celesc para a chamada Conta Covid, organizada pela Aneel para evitar reajustes maiores das tarifas. Segundo o presidente da empresa, o reajuste do preço da energia de Itaipu, a alta na remuneração das políticas públicas do setor (via cota da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE) e o repasse de custos de novas instalações de sistemas de transmissão, que impactariam diretamente a tarifa de energia nos próximos 12 meses, foram diluídos em 60 meses.

O presidente da Celesc também revelou que, embora a empresa esteja autorizada a cortar a energia por inadimplência, isso ainda não está sendo feito. “Estamos sensíveis às dificuldades deste momento”, ressaltou.

Deputados repudiam

Jair Miotto (PSC) demonstrou preocupação com a mudança. “Me preocupa a questão de manter o reajuste, no mínimo tem de ser suspenso, nossa população tem sofrido com essa pandemia, perdemos milhares de postos de trabalho, chegamos a dois mil óbitos, apelo para que esse reajuste seja no mínimo postergado”, diz. O deputado destacou a decisão da empresa de excluir dos cortes os consumidores com tarifa social e de protelar os cortes dos demais inadimplentes. “O corte não está sendo feito”, reforçou Miotto.

Outro crítica do aumento e dos cortes foi Ada de Luca (MDB) “Quero repudiar o aumento da tarifa da energia elétrica, da mesma forma repudiar o corte para os inadimplentes numa época de tanta desgraça”, ressaltou Ada, acrescentando que a Celesc pediu autorização à Aneel para reajustar a tarifa em 16%. “O Procon determinou a suspensão do aumento, parabéns ao Procon, o consumidor numa época dessa já não tem dinheiro nem para comer”, complementou a deputada.


Edição: Lucas Koehler
Foto: Júlio Cavalheiro/Governo de SC
Informações: Alesc