Casal de Joinville pretende viajar o mundo em uma Kombi

Reportagem: Lucas Koehler
Fotos: De Cabeça Pelo Mundo

Viajar em uma Kombi, por 18 países, sem prazo para terminar. Esse é o objetivo do projeto De Cabeça Pelo Mundo, protagonizado pelo casal Nilson, de 50 anos, e Josseli Weirich, de 49 anos. Além de conhecer países, o projeto tem um objetivo social: proteger crianças e adolescentes, palestrando contra o abuso sexual infantil.

O projeto surgiu após a vontade de fazer uma viagem de carro, quando Nilson entrou em férias. “Iríamos acampar por 30 dias pela Argentina, Uruguai e Chile” conta. A partir de pesquisas, os dois decidiram mudar de ideia e planejar viagens maiores.

Quanto a parte social do projeto, a ideia é fazer a partir dos princípios do escotismo, atividade a qual o casal e as duas filhas são ligados. “Sou coordenador de um projeto social no bairro Morro do Meio, em Joinville, mas agora quero promover palestras sobre o tema e falar da Kombi, das histórias das viagens e debater os problemas do abuso sexual de crianças, que ainda é visto como ‘tabu’”, explica Nilson.

Eles escolheram a Kombi por diferentes motivos. Veículo barato, de fácil manutenção e por chamar atenção. Para ele, existem clubes e histórias particulares desse carro. “Quando você para na estrada o pessoal vem olhar. É melhor para conseguir ajuda, caso precise”, ressalta.

As pesquisas e planejamentos para o projeto começaram em 2019. Desde lá, Nilson e Josseli estudaram dicas de como ter uma Kombi, até transformá-la em uma “Kombi Home”. Agora, o carro tem fogão, forno elétrico, pia, caixas de água, lugar para tomar banho, cama de casal, mesa, guarda-roupa e até geladeira. A mudança não deve parar por aí. Nilson conta que pretende colocar televisão e placas de energia solar, além de personalizar o veículo com a estética do projeto.

Kombi tem fogão, mesa e até cama | Foto: Reprodução/De Cabeça Pelo Mundo

Os caminhos percorridos serão de realização e novidades. No plano de viagem consta, em um primeiro momento, subir e descer pelo Brasil. A ida pelo litoral e o retorno pelo centro. Depois, a “casa” do casal serão as ruas dos continentes americanos. Os viajantes vão passar em regiões da Américas do Sul e Central, onde querem conhecer geleiras e vulcões. “Pontos maravilhosos que nem sabíamos que existiam”, cita o escoteiro. Depois, pé na estrada rumo à América do Norte. “Lá, nosso principal desejo é passar por cenários de filmes que marcaram a nossa vida”, destaca Nilson.

Para o coordenador do projeto social, a experiência vai transformar a vida dos dois. “É o antes e depois da viagem, vamos viver com muito pouco, abrir mão do consumismo. Pretendemos conviver com pessoas de locais que sempre sonhamos em visitar. Vamos mergulhar na cultura, não apenas passar por lá”, afirma.

As dificuldades, porém, podem pegar carona na aventura. Para eles, a questão financeira pode dificultar, pois o orçamento é pequeno. “Esperamos não precisar ter manutenção com o carro ou cuidados com a saúde”, fala Nilson. O idioma, as fronteiras e o pouco espaço no carro, apesar de preocupar, não são grandes barreiras. “É como costumo dizer: a casa é pequena, mas o quintal é grande”, exclama.

Nilson e Josseli Weirich têm como destino o Alasca | Foto: Reprodução/De Cabeça Pelo Mundo

A pandemia do novo coronavírus é um fator de maior atenção para a viagem. Nilson tem a expectativa que a situação esteja mais “controlada” ou que exista uma vacina até o início ou metade de 2021, que é quando pretendem iniciar a aventura. Se não, a nova forma de vida terá que ser adiada.

Com saída de Joinville, o destino final é o Alasca. Depois de trilhar a Argentina, Chile e Colômbia, o destino é o Panamá, na América Central. Para isso, o carro deve ir em um navio. Nilson e Josseli, num barco ou avião. Depois, mais estrada. Passagens por mais países, entre eles, México, Estados Unidos e Canadá, até chegar no destino.

Depois, a dupla ainda não tem roteiro. “Quem sabe voltamos para Joinville ou partimos para África ou Europa”, finaliza Nilson.

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