Estudantes realizam novo protesto contra cortes na UniSociesc

“O velório de uma instituição tradicional que está sendo desmontada por um grupo nacional”. Este foi o mote do protesto realizado por estudantes da UniSociesc na noite de sexta-feira (17). Foi o segundo ato contra cortes nas atividades educacionais, como demissão de professores, aumento das horas de ensino à distância (EAD) e mudanças na matriz curricular. A primeira manifestação ocorreu na sexta-feira (10).

De acordo com uma liderança estudantil que preferiu manter o anonimato, representantes da UniSociesc até ouviram os estudantes, mas sem a menor intenção de fazer algo. “Foram várias tentativas de negociação para pelo menos aumentar as horas-aula dos alunos, mas não deram em nada. Eles só nos ouviram, mas não estavam abertos a escutar os alunos”, comentou o estudante.

Para ele, o grupo administrador da instituição trata os alunos apenas como números. “Foi um velório que representa o enterro de uma instituição de tradição em Santa Catarina e em Joinville. São muitos anos de tradição e ensino de qualidade que vem sendo desmontado por um grupo, que é o grupo Ânima, em prol do capital, em prol de ganhar dinheiro”, explicou.

Manifestação reproduziu um velório pela qualidade da instituição

O descontentamento vem desde o ano passado, quando houve um aumento de mensalidade de aproximadamente 9%. Depois disso houve uma mudança no campus, que levou todos os cursos para o Campus Marquês de Olinda. E, agora, as mudanças mais drásticas que revoltaram os estudantes.

A liderança estudantil acusa a instituição de mentir sobre a obrigatoriedade das mudanças na matriz curricular. Ele alega que a mudança não é obrigatória, conforme diz a instituição aos alunos. “Estão empurrando goela abaixo dos alunos, mentindo que é obrigatória, mas a IES pode muito bem optar por não colocar isso”.

Para ele, a medida por ser adotada para alunos com contratos novos, e não com os estudantes que já estão no curso e assinaram contrato com aulas 100% presencial. Os estudantes acusam que as medidas foram tomadas sem diálogo com os estudantes.

Diante dessa situação, os estudantes denunciaram a instituição ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que estabeleceu o prazo de 20 dias, a partir de 13 de julho, para o cumprimento de diligências.

A Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc) foi formada em 1985, ligada à Escola Técnica Tupy (ETT), que por sua vez era ligada à Fundição Tupy, a multinacional joinvilense. Em 2013 foi reconhecida como Centro Universitário e em 2015 foi vendida ao grupo Ânima, um dos maiores do país no setor.

Neste ano, o grupo realizou cortes em unidades de todo o país. Não há confirmação oficial, mas foram centenas de demissões em faculdades tradicionais, como Universidade São Judas, Unisul, UniCuritiba, Una e UniBH. Em Joinville, foram dezenas de professores demitidos. Aproximadamente 50, de acordo com cálculos de estudantes e professores.

Nota da UniSociesc

A UniSociesc é uma instituição aberta ao diálogo e às sugestões que venham em benefício da qualidade acadêmica. Assim, a Universidade mantém os canais abertos para que os alunos e alunas tenham a oportunidade de tirar dúvidas e conhecer as características e vantagens do novo currículo.

No que diz respeito ao corpo docente, reiteramos que não há qualquer movimentação diferente do que ocorre normalmente ao fim de cada semestre. Esse turnover natural decorre, em regra, da incompatibilidade de horários, aprovações em concursos e outras causas, podendo também ser fruto do criterioso processo de avaliação institucional, inspirado nas parcerias que temos com os melhores centros de formação de professores do mundo – Stanford e Finlândia, entre outros – totalmente calcado na meritocracia.

Ressaltamos ainda que seguimos investindo na capacitação e desenvolvimento de nossos educadores para qualificar ainda mais a relação de ensino e aprendizagem, além de nos mantermos atentos aos novos talentos, valorizando o papel transformador dos professores na sociedade, e preservando ao máximo o emprego, cientes e preocupados com o momento delicado em que estamos vivendo.

Vale destacar, também, que durante esse momento de incertezas a UniSociesc trata cada solicitação financeira dos estudantes de forma individual, e nossos canais de comunicação estão à disposição de toda a comunidade acadêmica.

No atendimento realizado ao aluno, via nossos canais oficiais, os colaboradores possuem todas as informações sobre as condições e soluções financeiras possíveis. Se, mesmo após o atendimento, não houver uma solução que atenda ao estudante, o colaborador poderá encaminhar para a supervisão uma nova solicitação do aluno, com prazo de resposta final em até 15 dias.

Aproveitamos para salientar que, neste contexto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou uma nota técnica (14/2020) no sentido de que, havendo continuidade da prestação de serviço de forma alternativa com equivalente de qualidade, “os consumidores evitem o pedido de desconto de mensalidades, a fim de não causar um desarranjo de salário de professores, aluguel, entre outros”.

Importante esclarecer que, diante do panorama atual, não tivemos diminuição de custos, mas sim um incremento decorrente do uso de alta tecnologia e adequações decorrentes da nova logística de atendimentos online e home office.

As atividades por meio de recursos digitais não minimizam os demais custos e investimentos necessários para o dia a dia universitário.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Cedida por Vitor Trentini