Câmara abre processo contra vereador Odir Nunes

Em sessão na quarta-feira (15), o plenário virtual da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ) decidiu abrir uma Comissão Processante contra o vereador Odir Nunes (PSDB), devido à manifestação do vereador em sessão no último dia 7 de julho, onde Nunes falou que se fosse empresário, daria “uma camaçada de pau” no prefeito Udo Döhler (MDB).

A abertura teve como base a representação do munícipe Carlos Eduardo da Silva. No documento, o cidadão pediu a cassação de Odir por quebra de decoro parlamentar.

Na sessão do dia 7 de julho, o parlamentar falava sobre sua presença em ato realizado por comerciantes e empresários afetados pelas obras de macrodrenagem do rio Mathias. Odir afirmou que a manifestação tornava aquele “um dia histórico”.

A manifestação do vereador foi: “Eu quero agradecer a essas pessoas, empresários, e quero dizer que se eu fosse empresário eu ia atrás do prefeito e, num evento em que ele tava, dava uma camaçada de pau no prefeito. É verdade. Merece apanhar, porque aonde já se viu deixar famílias inteiras passando dificuldades; empresários que passaram a vida toda, a vida toda, para conseguir algo e agora no final vem um homem dessa postura e acaba com a cidade, com os seus sonhos e o da sua família”.

Veja o momento em que o vereador realiza a fala:

A decisão de abertura da comissão foi aprovada por 11 votos contra cinco. Votaram a favor da abertura da comissão os vereadores Richard Harrison, Mauricinho Soares, Roque Mattei e Pelé (os quatro do MDB), Jaime Evaristo, Lioilson Corrêa e Natanael Jordão (os três do PSC), Ana Rita (Cidadania), Wilson Paraíba (Pros), Fabio Dalonso (PSD) e James Schroeder (PDT). Votaram contra a abertura os vereadores Ninfo König e Maurício Peixer (ambos do PL), Iracema do Retalho e Rodrigo Fachini (ambos do PSDB) e Tânia Larson (PSL).

O presidente da CVJ, vereador Claudio Aragão (MDB), não precisou votar. Ele só teria de votar se fosse necessário um voto para formação de maioria. Por sua vez, o vereador Odir Nunes, o representado, também não votou. O vereador Adilson Girardi (MDB) não estava na plataforma virtual no momento da decisão.

A Comissão Processante já foi montada e seus integrantes também já determinaram as funções que vão ocupar. Mauricinho Soares será o presidente, Jaime Evaristo o relator e o vereador Pelé é o terceiro membro.

Agora eles têm cinco dias para realizar uma primeira reunião e depois notificar Odir. O vereador terá dez dias para apresentar sua defesa. Assegurada a ampla defesa, o processo inteiro deve durar até 90 dias contados da notificação do acusado. Caso não haja julgamento nesse prazo, o processo é arquivado.

Caso a Comissão Processante, dentro desse prazo, emitir parecer pela procedência ou improcedência da acusação, o Plenário será chamado para uma sessão de julgamento em que o resultado pode ser a cassação do mandato. Isso pode ocorrer se dois terços dos votos forem na direção de condenação. Dois terços correspondem a 13 vereadores.

Posicionamento do vereador Odir Nunes

Em nota enviada à imprensa, o vereador Odir Nunes afirma que a representação pública que pede a sua cassação é uma tentativa da base do governo na CVJ de calá-lo. “A perseguição do politicamente correto chegou à Câmara”, disse.

Na nota, Odir Nunes reafirmou sua fala contra o prefeito. “Como vereador de Joinville, acompanhando as obras desde o início, sabendo dos problemas e tendo feito de tudo nesses seis anos para parar, na situação dos comerciantes que faliram pela incompetência do prefeito, dava uma surra nele”.

O vereador afirma que não deveria ter dito a frase, mas o fez “no calor do momento”, apontando que nunca defendeu a violência.


Edição: Fernando Costa
Foto: Mauro Arthur Schlieck/CVJ
Informações: Divisão de Jornalismo da CVJ