A política em Joinville: A crise dos leitos em Joinville

Por Felipe Silveira
Foto: Governo de SC

O agravamento da pandemia de coronavírus em Joinville e outras correrias não permitiram a publicação da coluna na quarta e na sexta-feira da semana passada. Pedimos desculpas. Em compensação, lançamos o nosso podcast na sexta-feira. É verdade que a execução desse projeto consumiu parte da energia e do tempo que seriam usados na produção da coluna. Esperamos, então, que os leitores e as leitores também gostem do novo projeto.

100% de ocupação

Joinville teve um choque de realidade na última quarta-feira (8), com a notícia da ocupação total dos leitos de UTI exclusivos para atendimento de pacientes com covid-19 nos hospitais públicos. São 40 leitos no Hospital Municipal São José e 17 no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt.

No mesmo dia, a assessoria da Prefeitura disse que medidas estavam sendo estudadas. Elas vieram no dia seguinte e não agradaram. Não havia nada muito efetivo. De considerável, apenas se restringiu o atendimento ao público em bares e restaurantes à noite. A medida foi motivo de chacota entre leitores do jornal.

A Prefeitura alega que houve um aumento inesperado da ocupação, que estava por volta de 60% nos dias anteriores e de repente lotou. No entanto, a escalada no número de internados era perceptível há semanas, desde a reabertura do serviço de transporte público. Como a taxa de contágio do coronavírus é muito alta, é evidente que o número de casos explode de uma hora para outra.

Reportagem de O Mirante, publicada na sexta-feira, 30 dias após a reabertura, mostra como o transporte público pode ser um dos principais vetores de transmissão do vírus. As regras de prevenção impostas no retorno, que já não garantem muita segurança em relação ao vírus, não estão sendo cumpridas.

Discurso ruim

Em graus diferentes, negacionistas da pandemia insistem em algumas coisas para minimizar a gravidade da situação. Uma delas é o destaque ao número de recuperados. Por alguma razão inexplicável, essa também é a estratégia da comunicação municipal. Este discurso positivo ajuda a agravar a situação, já que as pessoas compram a ideia e minimizam o problema. É um discurso ruim. A Prefeitura deve ser a maior interessada em expor a gravidade da pandemia, estimulando que as pessoas fiquem em casa e, se precisarem sair, tomem todos os cuidados.

Falando em discurso, os parlamentares joinvilenses não fazem muito melhor. Até comentam sobre recursos para a criação de mais leitos, mas não pedem mais cuidados para as pessoas. Não insistem quem seus eleitores usem máscara, que fiquem em casa, que lavem a mão, que não visitem parentes, que não façam rolezinhos. Também é uma irresponsabilidade.

Não precisava que a Prefeitura ou parlamentares pedissem esse tipo de coisa, mas, como todo mundo parece ter enlouquecido, certamente ajudaria.

Chutaram o balde

A proximidade das eleições fez com que vereadores chutassem o balde em relação ao isolamento social. É foto com máscara na orelha, foto lado a lado, visita aqui, visita lá. Falando em vereadores, a Comissão Especial Covid-19, da CVJ, se reúne nesta segunda-feira (13), às 14 horas.

Cloroquina

A Prefeitura solicitou, recebeu e vai distribuir cloroquina para a população usar como tratamento precoce, sob prescrição médica. A medida é permitida pelo Ministério da Saúde, que não tem ministro e o interino é claramente incapaz. Porém, não é recomendada pela Organização Mundial da Saúde. “A OMS não indica o uso da cloroquina em pacientes de coronavírus porque não conseguimos demonstrar um benefício claro a eles”, afirmou diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.